Uma igreja em cada esquina. A sensação se disseminou, com espanto, ao longo da década de 1990, quando o Brasil ainda demorava a reconhecer a força do movimento evangélico pentecostal e a consequente multiplicação de seus templos. Nos últimos anos, essa percepção se consolidou e ganhou qualidade estatística.

Segundo dados do IBGE divulgados em 2024, existem no país mais de meio milhão de estabelecimentos religiosos de diferentes denominações. Para efeito de comparação, a mesma pesquisa indicava que o número de estabelecimentos de ensino e de saúde correspondia, em cada caso, a menos da metade desse total.

Com centenas de milhares de templos espalhados pelo país, é inevitável que muitos deles, em algum momento, fechem, sejam vendidos ou recebam novos usos. É nesse ponto que a expansão religiosa se encontra com o mercado imobiliário e que começam a se avolumar os casos de igrejas que deixam de ser igrejas no Brasil.

Há exemplos já clássicos, como o da antiga Igreja Presbiteriana no bairro do Bixiga, em São Paulo. Depois do encerramento dos cultos, o local abrigou espaços de teatro experimental, entre eles o Teatro Igreja e o Teatro da Praça. A partir de 2006, o espaço ganhou diferentes nomes e propostas, sempre com a vocação para receber shows, festas e diferentes performances. Acima daquilo que fora um altar, ainda está a inscrição "Casa de oração para todos os povos".