O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de escolas públicas de ensino médio 100% integrais ficou 0,5 ponto acima do registrado pelas unidades em tempo parcial em 2025, segundo análise feita pelo Instituto Sonho Grande e Instituto Natura. O estudo afirma que escolas integrais alcançaram média no Ideb de 4,8, ante 4,3 das escolas parciais. Foram analisados os resultados de 9.345 escolas parciais e 3.399 integrais das redes estaduais, considerando unidades voltadas para a formação geral básica e a educação profissional e tecnológica. A principal conclusão é a de que a implementação do ensino integral observada nos últimos anos tem colhido frutos. No entanto, Ana Paula Pereira, diretora-executiva do Instituto Sonho Grande, reconhece que, considerando a média nacional, os dados do Ideb de 2025 mostram um cenário ainda de retomada do ensino para os patamares registrados antes da pandemia de 2020. “Na média do Brasil a gente vê esse cenário de retomada. Por enquanto, a gente faz mais uma recuperação para os patamares pré-pandemia. De fato, em língua portuguesa a gente recuperou e passou um pouco, enquanto em matemática estamos igualzinho a 2019 na escala Saeb. Na média brasileira essa é a conclusão. O que eu diria que é diferente é que alguns estados evoluíram e estão em patamares diferentes, como o Piauí”, explica. O crescimento das unidades que migraram para o modelo integral a partir de 2020 também foi 80% superior ao registrado pelas escolas que permaneceram no modelo parcial, de acordo com o estudo. Também é feita a diferenciação entre “integrais maduras” — aquelas que funcionaram nesse modelo desde 2019. O levantamento mostra que, apesar de uma média superior às outras, as “maduras” avançaram apenas 0,1 ponto, passando de 5,1 em 2019 para 5,2 em 2025. A diferença em relação às unidades parciais, que registraram 4,4 no Ideb em 2025, caiu de 1,1 ponto em 2019 para 0,8 ponto no ano passado. Enquanto isso, as “integrais recentes” tiveram crescimento de 0,6 ponto no Ideb nos últimos seis anos, alcançando média de 4,7. Segundo a diretora-executiva do Instituto Sonho Grande, a principal hipótese da estagnação das escolas maduras vem justamente da dificuldade de melhorar um resultado que já é alto. “Sempre que encontramos grandes crescimentos, eles vêm de redes com patamar mais baixo e que fizeram um avanço importante. As melhores redes têm dificuldade de crescer”. Ana Paula também destaca que o desempenho dos Estados varia de acordo com a matriz curricular aplicada e a forma de implementação da política pública de escola integral. Segundo o estudo, o desempenho superior das escolas integrais maduras é explicado por dois fatores: um melhor aprendizado, refletido na nota padronizada de 5,2 no Saeb, e uma maior taxa de aprovação, com indicador de 0,98. Além disso, o tempo em que os estudantes passam na escola também faz diferença. Escolas integrais maduras com carga horária de 9 horas atingem o Ideb mais alto do levantamento, de 5,2, enquanto as do mesmo grupo com jornada de sete horas registram 4,8. Entre as escolas integrais recentes, não há vantagem significativa para as unidades com jornada de nove horas, que registram Ideb de 4,6, enquanto as de sete horas ficam em 4,7. “A expansão tem mudado também. Nos últimos anos, vimos uma expansão do ensino integral, mas com carga horária menor na média. E isso preocupa por esse ser um dos pontos que é uma alavanca de resultados”, avalia a diretora-executiva do Instituto Sonho Grande. Ela também ressalta que também não adianta apenas o aumento da carga horária sem o acompanhamento devido da implementação desta política pública. “Honestamente você pode ter 7h por dia e estar fazendo a mesma coisa da escola de 5h. Tivemos experiências antigas com essa característica. E isso não traz resultado superior” “A gente defende que não basta colocar na jornada integral e estender a carga horária. O que mais importa é um currículo integrado, efetivamente centrado no estudante e no seu projeto de vida, para reverter a situação de desengajamento do jovem com as escolas”, afirma. Entre os Estados, o Piauí se destacou com uma evolução expressiva: saiu do 11° lugar em 2021 para 2° no Ideb 2025 da rede estadual, com um resultado de 4,9. Segundo o estudo, também registrou o maior aumento do país de proficiência em matemática da série histórica, avançando 20 pontos, entre 2023 e o ano passado. Esse crescimento acompanhou a universalização do ensino médio em tempo integral, que expandiu sua presença de 22% para 100% das escolas no período, totalizando 512 unidades. Na visão de Ana Paula, a priorização política da educação foi o principal destaque dessa evolução. “Essa priorização política veio atrelada a duas políticas públicas em alta, ensino integral e ensino técnico, as quais eles levaram ao extremo, porque chegaram em 100% das escolas. Vimos o Piauí priorizar essas duas políticas públicas e chegaram em pouco tempo com trabalho de qualidade e em 100% das escolas ofertando essas duas modalidades. O que fez diferença no resultado evidenciado pelo Ideb”, diz. Por fim, a diretora-executiva do Instituto Sonho Grande ressalta o foco importante nos componentes de matemática e língua portuguesa. No Piauí, o crescimento na rede estadual foi de 20 pontos em 2 anos em matemática, de 266,60 pontos em 2023, para 286,60 pontos em 2025. “É maior do que a maioria dos Estados teve em 20 anos”. Já o Rio Grande do Sul se destacou como o Estado que apresentou o maior avanço absoluto no Ideb (0,8) entre 2023 e 2025. A rede integral atingiu 12% das escolas estaduais de ensino médio em 2025. Na rede estadual, os estudantes do integral registram o equivalente a três anos a mais de aprendizado em Matemática e a um ano e meio a mais em Língua Portuguesa, em comparação com o modelo parcial. “Enquanto esse crescimento geral das integrais maduras é de 0,1 ponto tem estados que tem crescido muito mais. O crescimento das integrais maduras no Rio Grande do Sul, por exemplo, é de 0,6 ponto. E as integrais maduras no RS cresceram tanto quanto as parciais”, afirma a diretora-executiva do Instituto Sonho Grande.
Escola de tempo integral tem média mais alta no Ideb, mostra levantamento
Instituto Sonho Grande comparou 9.345 escolas parciais e 3.399 integrais das redes estaduais, considerando unidades voltadas para a formação geral básica e a educação profissional e tecnológica











