Divulgação de dados de um dos componentes do Ideb retrata o desafio, no ensino médio, de incluir os mais vulneráveis, assim como feito no ensino fundamental 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estudante em sala de aula durante preparação para o Enem — Foto: Léo Martins/Agência O Globo Com a divulgação dos resultados de aprendizagem dos alunos no Saeb (Sistema de Avaliação de Educação Básica) de 2025, é possível analisar o desempenho da educação brasileira nesta dimensão ao longo de 30 anos. O Saeb é um dos componentes do Ideb, divulgado na semana passada, e baseia-se em testes de Matemática e Língua Portuguesa aplicados a alunos dos ensinos fundamental e médio desde 1995, com resultados comparáveis no tempo. Neste recorte mais amplo, constata-se, sem surpresa, que o maior avanço ocorreu no primeiro ciclo do fundamental, e que os ganhos foram mais modestos no segundo ciclo. O dado mais preocupante é que, no 3º ano do ensino médio, o desempenho em 2025 é inferior ao registrado há 30 anos. Mas, antes de concluir que estamos piores, é preciso levar em conta um contexto muito importante: há muitos mais jovens na escola hoje. Em 1995, o percentual de jovens de 15 a 17 anos matriculados no ensino médio era de apenas 23%. Como os testes do MEC são aplicados apenas a quem está na escola, ao menos três em cada quatro jovens não tiveram sua aprendizagem mensurada em exames oficiais. Em 2025, a proporção de matriculados subiu a 81%. Ou seja, mais que triplicou. Como esta etapa passou a ser obrigatória, só poderemos comemorar a universalização quando chegarmos a 100%. Mas o aumento da cobertura de 23% para 81% faz uma enorme diferença na avaliação da aprendizagem. Os resultados registrados em 1995 seriam, sem dúvida, muito piores se todos os jovens (dentro e fora da escola) participassem do Saeb. Também seria assim em alguma medida em 2025 (19% fora do ensino médio não é nada desprezível), mas são ordens de grandeza distintas. O fato é que, no ensino médio, o Brasil ainda vivencia o desafio de incluir todos os mais vulneráveis na escola, algo que, felizmente, já praticamente alcançamos no fundamental. O recorte de 30 anos permite identificar fases distintas. Na primeira, entre 1995 e 2005, houve queda geral em todas as séries analisadas. Essa tendência se inverteu no decênio seguinte (2005 a 2015), com o maior salto positivo no primeiro ciclo do fundamental. A variação foi de 36 pontos na média combinada de Português e Matemática, algo bastante significativo na escala que vai de zero a 500 (é a mesma em todas as etapas, mas com expectativas distintas em cada uma). No segundo ciclo do fundamental, o ganho foi mais modesto (20 pontos), ao passo que o ensino médio estagnou (míseros três pontos para cima). No último decênio, de 2015 a 2025, o ritmo de melhoria caiu no primeiro e no segundo ciclo do fundamental (respectivamente, avanço de 12 e de 8 pontos). No mesmo período, mesmo com os efeitos da pandemia, o ensino médio finalmente deu sinais de avanço (11 pontos), ainda que modesto e insuficiente. Por que avançamos mais nos anos iniciais do que no médio? Há várias razões, que não cabem aqui. Mas a expansão da cobertura é, de novo, algo a ser considerado, pois os pontos de partidas eram bastante distintos. Em 1995, 85% das crianças com idade para o ensino fundamental já estavam na escola nesta etapa. Dez anos depois, o percentual chegou a 94% (hoje, 96%). Ampliar a cobertura e, ao mesmo tempo, avançar na aprendizagem não é trivial. Mas os jovens de hoje não têm nenhuma culpa se não fizemos nosso dever de casa no passado. Por isso precisamos garantir, simultaneamente, acesso, permanência e aprendizagem para todos.
Aprendizagem em 30 anos de Saeb
Divulgação de dados de um dos componentes do Ideb retrata o desafio, no ensino médio, de incluir os mais vulneráveis, assim como feito no ensino fundamental











