No ensino médio, o desempenho permanece abaixo até do patamar previsto para 2017 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estudantes atravessam portão de escola pública no Rio de Janeiro — Foto: Fabiano Rocha/Extra O principal indicador da qualidade da educação básica no Brasil mostra que o país avança, mas em ritmo insuficiente para alcançar objetivos traçados há anos. Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados ontem, apontam melhora em todas as etapas de ensino avaliadas, mas duas das metas de 2021, as últimas estabelecidas, seguem fora do alcance. No ensino médio, o desempenho permanece abaixo até do patamar previsto para 2017. Criado em 2007, o Ideb é medido a cada dois anos, considerando dois fatores em seu cálculo: a aprendizagem, por meio da nota do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), e a quantidade de alunos que são aprovados. — A notícia positiva é que o Brasil conseguiu avançar nas três etapas. Nos anos iniciais, todos os estados avançaram. Nos outros, apenas a minoria não conseguiu — afirmou o diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, que pondera: — Mas os níveis de aprendizagem ainda estão muito baixos. Veja os resultados do Ideb — Foto: Arte O Globo Os dados mostram que a única meta ultrapassada foi a dos anos iniciais do fundamental (do 1º ao 5º ano). Em 2025, o país atingiu a nota 6,3, numa escala de zero a 10. Só há dois anos, o Brasil havia alcançado o esperado para 2021, de 6. Já nos anos finais do fundamental (do 6º ao 9º ano), a nota nacional ficou em 5,3, enquanto a meta de 2021 era 5,5. Por fim, o ensino médio teve resultado mais distante do objetivo estabelecido para 2021: 4,5, quando deveria ter chegado a 5,2. Essa etapa escolar não bateu sequer as metas previstas para 2019 (5) e 2017 (4,7). Uma reformulação do Ideb vem sendo discutida. A prova de Português e Matemática, por exemplo, deverá incorporar questões dissertativas — atualmente são de múltipla escolha. Ao apresentar os resultados, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que a pasta e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) vão divulgar, em outubro, um novo plano de metas de dez anos para o indicador. — A gente vai se deter na questão da proficiência, da aprendizagem e da equidade — afirmou. Fluxo educacional no foco As metas ainda estão em debate com as secretarias estaduais e municipais. Segundo o ministro, a prioridade nos últimos 20 anos foi melhorar o fluxo educacional (índices de aprovação, reprovação e abandono) para ampliar o acesso à escola. Na rede pública, o país atingiu em 2025 o maior nível de aprovação desde a criação do Ideb e chegou a 94,3% dos alunos passando de ano no ensino médio. Esse patamar era de 71,8% em 2007. Por isso, seria possível agora criar metas de aprendizagem mais “ousadas”. Segundo Barchini, o Ministério da Educação (MEC) oferecerá apoio aos municípios com as menores notas. — A ideia é que esses 442 municípios sejam chamados aqui por uma assistência técnica específica e individualizada, para que a gente não deixe ninguém para trás — disse o ministro. Os dados do Saeb, que ajudam a compor a nota do Ideb, mostram que, em 2025, o desempenho dos alunos brasileiros na principal avaliação de aprendizagem do país melhorou em Português e Matemática nas três etapas. Mas ainda estão muito distantes de patamares ideais. — Os alunos terminam o fundamental sem atingir o nível de pontos adequado e chegam ao fim do ensino médio em um patamar bastante baixo. Em Matemática, por exemplo, a média fica abaixo do básico, o menor nível da escala — afirma Gabriel Corrêa. Aprendizagem no Rio Os dados divulgados ontem colocaram a rede estadual do Rio de Janeiro no penúltimo lugar do Ideb, empatada com as de Roraima, Amapá e Amazonas, à frente só do Distrito Federal. Já no ranking de aprendizagem, o Rio ficou em último, com a Bahia. Mesmo aprendendo menos, os alunos do Rio foram mais aprovados. Isso porque, no ano passado, a rede flexibilizou as regras para a progressão continuada, prática conhecida como “dependência”. Desde então, um aluno pode ser reprovado em até seis disciplinas e ainda assim passar de ano — uma tática explorada também por outras redes, como as do Pará e do Rio Grande do Norte. Com a manobra, o Rio de Janeiro ainda teve um aumento na nota do Ideb entre 2023 e 2025: de 3,3 para 3,7. Já o Paraná ficou com a maior nota do Ideb nas três etapas. De acordo com o secretário estadual de Educação, Roni Miranda, o estado conseguiu o resultado ao instituir o mesmo currículo, avaliação e material para todas as escolas e investir em programas de formação continuada dos professores. Ele também criou um bônus para escolas que atingissem metas no Ideb. — No Paraná, nosso foco é incluir estudantes na universidade, dar formação técnica para que eles possam entrar no mercado de trabalho e melhorar o Ideb — afirmou Miranda. Procurada, a Secretaria Estadual de Educação do Rio defendeu a progressão parcial como estratégia, com “foco na recomposição das aprendizagens e na permanência dos estudantes na escola”.
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No ensino médio, o desempenho permanece abaixo até do patamar previsto para 2017












