Tabata Amaral é a melhor deputada do Congresso. Marina Helou é a melhor deputada da Alesp. Eu teria dificuldade em escolher em qual delas votar (ambas concorrem à federal), mas não sei se concordo com a regulação que escolheram para o patrocínio dos sites adultos no futebol. Sim, essa é uma coluna sobre a Fatal.PUBLICIDADEO Corinthians anunciou uma parceria bilionária com a empresa, que patrocinará o time e estampará seu uniforme. A publicidade da Fatal já aparecia em times menores e na beira dos gramados, alcançando a TV aberta.Os anúncios do grupo eram para seu site de anúncios de acompanhantes (Fatal Model) e o patrocínio ao Corinthians é para sua plataforma de assinatura de conteúdo (Fatal Fans).Patrocínio da Fatal Fans está estampado no calção do Corinthians Foto: Rodrigo GazzanelEssas propagandas têm sido discutidas há alguns anos, pelas óbvias preocupações com a objetificação das mulheres e exposição de jovens a sites inapropriados – como no debate sobre o patrocínio de bebidas no esporte. O tema agora foi a outro patamar pelo envolvimento do Corinthians, embora a Fatal já patrocinasse o Paysandu, que tem até mais títulos da série B. Tabata e Marina pedem a proibição desse tipo de publicidade em espaços públicos. É o melhor caminho?PublicidadeTenho me preocupado com o tema da economia da atenção. Acho que brasileiros passam tempo demais no celular e que boa parte desse tempo vira lucro fora daqui: ficam apenas algumas migalhas para nossa economia, ademais prejudicada por perda de produtividade. Eu diria que somos exportadores de atenção.Leia tambémPrecisamos de uma política nacional de paternidade?Taxem os solteiros: por que Renan Santos deveria pagar casais para terem filhosTodo setor da economia pede proteção contra competição estrangeira. Mas ninguém pede campeão nacional na economia do tabu. Dois dos dez sites mais visitados pelos brasileiros são de conteúdo adulto, ambos do Norte Global.Não sei qual é o modelo de negócios da Fatal. Não consigo entender como um site de anúncios de serviços locais poderia gerar tanto dinheiro justo na época que destruiu os classificados. Já me perguntei se investidores torram dinheiro para usar a marca em algo que seja rentável depois: a Fatal Bets, a Fatal Marijuana ou a Fatal Camisetas Tecnológicas.Mas sei que tabu dá dinheiro. Penso em Las Vegas ou em Amsterdã, com forte arrecadação de impostos sobre bens e serviços proibidos em outras partes do mundo. Fico pensando se, diante de uma demanda que dificilmente desaparecerá, não é melhor que uma empresa brasileira prospere diante das estrangeiras (deixando os benefícios aqui).A Fatal Fans surfa na estrangeira OnlyFans, também plataforma de criação e venda de conteúdo adulto, que foi avaliada recentemente em quase R$ 20 bilhões. Seria melhor para políticas públicas simplesmente taxar a Fatal?PublicidadeVale ler tambémReforma tributária corre risco de entrar em vigor sob a mesma lógica que destruiu o sistema anteriorGirassol Agrícola investe no plantio de eucaliptoAlto Escalão: contratações para diretorias comerciais dominam a semana
Opinião | A economia do tabu: é melhor regular ou taxar empresas como a Fatal?
Patrocínio ao Corinthians gera reação, mas brasileiros gastam bilhões de horas por ano com plataformas estrangeiras








