O entendimento na Braskem é que a companhia não precisa de dinheiro novo neste momento, mas de carência Foto: Divulgação/Braskem - 09/09/2015Em conversas recentes para reestruturação da dívida da Braskem, alguns bancos credores propuseram linhas de crédito para financiar a operação da petroquímica. A Coluna apurou que uma das propostas envolveu um empréstimo de US$ 700 milhões, tendo todos os ativos da companhia em garantia ou, em uma segunda versão, com opção de conversão da dívida em ações no futuro, ambas rejeitadas pela companhia.PUBLICIDADEO entendimento, segundo fontes, é de que a Braskem não precisa de dinheiro novo neste momento, mas de carência no pagamento dos compromissos de sua dívida para dar fôlego ao caixa e, dessa forma, aproveitar o ambiente favorável que se formou para os preços dos produtos petroquímicos em função da guerra no Oriente Médio e deve persistir. A gestão da empresa avalia que os empréstimos propostos, na forma como foram montados, acabariam beneficiando apenas os credores, em detrimento à companhia.O plano da nova gestão seria, em um prazo ideal de cinco anos, trabalhar o aumento de uso de gás como matéria-prima em substituição à nafta - insumo mais caro -, bem como fortalecer a produção de plástico verde, na qual a empresa tem pioneirismo. Além disso, em uma relação que parece mais azeitada entre a IG4 e a Petrobras do que foi no passado entre a estatal e a Novonor (ex-Odebrecht), conseguir ganhos de eficiência e fornecimento de insumos em melhores condições.Credores dizem que dinheiro é necessárioJá os credores defendem que a Braskem não será viável sem dinheiro novo. Nesse sentido, também os detentores de títulos de dívida emitidos no exterior (bondholders) já apresentaram propostas de capitalização, que resultaria em diluição dos acionistas, ideia que é igualmente rejeitada por IG4 Capital, que tem o controle da petroquímica, e Petrobras, que tem a segunda maior fatia na empresa.A poucos dias do vencimento dos 60 dias que a empresa obteve de proteção contra cobrança de credores, no próximo dia 24, o cenário é bastante incerto e uma recuperação judicial é sempre citada nas rodas próximas ao caso ou entre observadores. O ambiente não diverge muito de outras renegociações de dívida, em que a corda é esticada até praticamente o final. Mas no caso de Braskem, a falta de consenso tem se mostrado um pouco mais evidente entre os interlocutores ouvidos pela reportagem.PublicidadeDe acordo com pessoas próximas à mesa de negociação do lado da companhia, a expectativa é de que será possível chegar aos 33% de adesão dos credores, conforme pede a lei, para entrar com pedido de recuperação extrajudicial dentro do prazo. “A Braskem está trabalhando nos contornos de um acordo, com bancos e bondholders, para salvaguardar os interesses das partes e as negociações estão caminhando”, disse uma das fontes. Não está descartado, porém, tentar uma prorrogação de prazo da medida cautelar e ganhar mais tempo de negociação.Empresa quer alongamento dos vencimentosO que está dado, por enquanto, é que nenhuma proposta de dinheiro novo que resulte em endividamento, diluição dos atuais acionistas e a concessão de todos os ativos da empresa como garantia tem chance de ser aceita. A proposta da companhia segue no alongamento dos vencimentos, que somam mais de US$ 9 bilhões, com carência de pagamento maior para o principal e menor para o pagamento de juro. Os bondholders têm em suas mãos cerca de US$ 7 bilhões desses créditos.Inicialmente, a IG4, que lidera as conversas, havia proposto cinco anos de carência para o principal e três para o juro, mas essas condições também poderão ser negociadas nessas conversas. Os atuais gestores da companhia acreditam que nesse período de carência a Braskem poderá liberar caixa para fazer as transformações de eficiência que estão em seu plano e melhor aproveitar uma esperada recuperação do ciclo de preços dos produtos petroquímicos.No primeiro trimestre de 2026, a Braskem apresentou consumo recorrente de caixa de US$ 866 milhões, valor superior em 110% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em reais, o valor chegou a R$ 4,6 bilhões, explicado principalmente pelos pagamentos de juros semestrais dos títulos de dívida emitidos no mercado internacional concentrados no primeiro e no terceiro trimestres.Linha de capital de giro seria uma possibilidadeEm termos de dinheiro novo, uma possibilidade não descartada, conforme uma fonte, seria uma linha de capital de giro da Petrobras em condições contratuais de fornecedora de matéria-prima para a petroquímica. A empresa aposta também em uma relação de cooperação com a Petrobras, em situação aposta ao que ocorria enquanto Novonor estava em seu controle.PublicidadeEm teleconferência de resultados, nesta sexta-feira, 7, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a estatal tem participado mais sobre as decisões da companhia. “Estamos atuando na empresa para olhar com novos olhos qual pode ser o futuro da Braskem.” Procurada, a Braskem não comentou.Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 07/08/2026, às 15:19A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.Vale ler tambémReforma tributária corre risco de entrar em vigor sob a mesma lógica que destruiu o sistema anteriorGirassol Agrícola investe no plantio de eucaliptoAlto Escalão: contratações para diretorias comerciais dominam a semana