A Braskem, companhia petroquímica brasileira, deve apresentar até o mês que vem seu plano de reestruturação aos credores. De acordo com uma fonte a par das conversas, o processo deve incluir a prorrogação dos prazos de vencimento de dívidas, redução dos pagamentos de juros e ampliação dos períodos de carência. O plano, que deve ser apresentado em breve, não prevê aporte de capital nem conversão de dívida em participação acionária. A Braskem busca obter o apoio dos credores para iniciar um processo de reestruturação extrajudicial antes dos pagamentos de dívida programados para julho, informou a agência Bloomberg. A controladora brasileira estaria avaliando protocolar um pedido de recuperação extrajudicial assim que obtiver o apoio de detentores de pelo menos um terço de sua dívida. Alcançar esse percentual permitiria à empresa obter uma suspensão temporária de 90 dias nos pagamentos de suas obrigações financeiras. Caso essa suspensão seja aprovada, a Braskem pretende ingressar no processo de reestruturação extrajudicial já com um entendimento preliminar entre detentores de títulos e bancos sobre os principais termos da reestruturação, segundo as fontes. Durante o período de 90 dias, a companhia buscará o apoio de credores que representem a maioria da dívida total, requisito necessário para aprovar o plano definitivo de reestruturação. A Braskem também procura manter o controle de sua subsidiária mexicana, a Braskem Idesa, da qual é sócia juntamente com a empresa mexicana Idesa. Segundo a fonte, a Braskem Idesa está atualmente tentando renegociar contratos com a Pemex, estatal mexicana de petróleo, após não conseguir cumprir determinados pagamentos de dívida. Nova chefia Ontem, as ações da Braskem detidas pela Novonor (antiga Odebrecht) foram transferidas para um fundo administrado pela gestora de investimentos privados IG4 Capital, que passou a compartilhar o controle da Braskem com a Petrobras. A IG4 pretende indicar Helcio Tokeshi para o cargo de diretor-presidente (CEO) da Braskem e Carlos Brandão para diretoria financeira, como parte de uma chapa mais ampla para a administração da companhia, disse outra fonte que também pediu anonimato. Em meio ao processo, Nir Lander, um dos principais executivos da companhia, deve manter seu cargo em meio à reformulação da liderança. Ele, que é vice-presidente responsável pelas áreas de recursos humanos, comunicação e cadeia de suprimentos, ocupa uma das quatro posições da diretoria atualmente controladas pela Petrobras na Braskem. No mês passado, a Petrobras divulgou dois de seus quatro indicados para cargos executivos na Braskem. Raphael Campos foi nomeado diretor de operações, enquanto Carlos Platcha assumirá o cargo de diretor de mercados consumidores e logística da Braskem, de acordo com informações disponíveis no site da companhia. A possibilidade de buscar proteção judicial por meio de uma chamada medida cautelar continua sendo considerada, afirmaram algumas das pessoas ouvidas. Procurada, a Braskem não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. Listada na B3, as ações da Braskem caíram 5,79% ontem, aos R$ 9,43. Ainda assim, no ano, a empresa vê valorização de 18,7% nos papéis.