Tratativas para a reestruturação têm se mostrado promissoras e as chances de evitar uma recuperação judicial subiram depois que os “bondholders” apresentaram contraproposta mais favorável pela Braskem 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Em meio às negociações em torno da reestruturação da Braskem, parte dos “bondholders” da petroquímica ainda pressiona para que a Petrobras aporte capital novo na controlada, informou a Bloomberg, nesta segunda-feira (10). Segundo a agência de notícias, as negociações ganharam força nos últimos dias, mas parte dos credores, incluindo as gestoras Elliott e Contrarian, busca que a Petrobras assuma um compromisso financeiro firme. As alternativas levantadas pelos credores variam de uma contribuição de capital próprio, capital de giro ou dívida subordinada, de acordo com a Bloomberg. A Petrobras tem resistido até o momento, por não desejar ampliar a participação na Braskem, nem tampouco correr o risco de consolidar a dívida da empresa. O Valor já havia informado que os credores da Braskem vinham pedindo uma nova injeção de capital por parte da gestora IG4 e da Petrobras. Ambas assumiram o controle da petroquímica no início de junho, após a transferência das ações que eram da Novonor (antiga Odebrecht) para o fundo Shine, da IG4, e a assinatura de um novo acordo de acionistas. A Braskem tem até 24 de agosto para fechar um acordo para entrar em recuperação extrajudicial, e evitar uma recuperação judicial. O envolvimento da Petrobras, que controla a companhia ao lado do IG4 Capital Group, aumenta o peso político do caso em um ano eleitoral, quando o governo deve enfrentar maior escrutínio sobre o destino de empresas consideradas estratégicas. A companhia precisa do apoio de credores que detenham ao menos um terço de sua dívida para evitar um pedido de recuperação judicial, opção que continua sobre a mesa, segundo algumas das fontes. Segundo a Bloomberg, as tratativas para a reestruturação têm se mostrado mais promissoras e as chances de a petroquímica evitar uma recuperação judicial aumentaram depois que os “bondholders” apresentaram uma contraproposta considerada mais favorável pela Braskem. A Braskem ajuizou uma medida cautelar no fim de junho para obter proteção contra credores, depois que as negociações para uma solução extrajudicial para seu crescente endividamento enfrentaram impasses. A medida suspendeu por 60 dias as medidas de execução dos credores contra a companhia. A Moody’s Ratings rebaixou na semana passada a nota de crédito da Braskem ao considerar como default a suspensão de cobranças determinada pela justiça durante as negociações de reestruturação. A agência manteve a perspectiva negativa, indicando que os riscos de crédito seguem elevados enquanto a companhia conduz o processo de mediação e tenta equacionar sua situação financeira. O prêmio exigido pelos investidores para manter os bonds da Braskem com vencimento em 2030, em relação a títulos comparáveis do Tesouro dos EUA, está em torno de 1.900 pontos-base, segundo dados da Trace. O nível está bem acima dos 1.000 pontos-base considerados como indicativo de dívida distressed. Se um acordo extrajudicial for alcançado, as partes terão mais 90 dias, conforme previsto na legislação brasileira, para finalizar os termos da reestruturação após o protocolo do pedido, segundo as pessoas. Representantes da IG4, Petrobras, Elliott e Contrarian não responderam imediatamente a pedidos de comentário da agência Bloomberg. A Braskem disse à agência que continua recebendo propostas indicativas e não vinculantes de grupos de credores e que todas as alternativas seguem em análise. “Reiteramos o compromisso com uma solução consensual e ordenada para a reestruturação financeira,” afirmou a empresa em nota. As empresas costumam preferir a recuperação extrajudicial por ser, em geral, mais rápida, barata e menos disruptiva que a recuperação judicial. Uma vez fechado um acordo com uma parcela suficiente dos credores, o plano pode ser homologado pela justiça e se tornar vinculante. Antes considerada a joia da coroa da Novonor, a Braskem está sob nova gestão desde que a IG4 adquiriu do conglomerado brasileiro uma participação de controle na companhia. Desde então, a petroquímica vem consumindo seu caixa, pressionada por um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e por anos de preços baixos no setor. Além de Elliott e Contrarian, estão entre os principais bondholders da Braskem AllianceBernstein, Capital Group e PGIM, segundo dados compilados pela Bloomberg. Representantes das gestoras não quiseram comentar ou não responderam a pedidos de comentário. A Petrobras está focada nas atividades operacionais da Braskem, enquanto a IG4 conduz as negociações com os credores, conforme noticiado pela Bloomberg. A Petrobras conta com a assessoria da BR Partners nas negociações para a reestruturação da dívida da Braskem, disseram pessoas familiarizadas com o assunto em junho. — Foto: Luke Sharrett/Bloomberg