Carlos Frederico Coelho pontua que ataques de Milei e post de deputado americano fazem parte de um cenário em que imagem e as redes sociais vêm ganhando maior protagonismo do que a execução da política externa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da Argentina, Javier Milei — Foto: Photo by ALEJANDRO PAGNI / AFP As novas ofensas proferidas por Javier Milei contra Lula, nesta segunda-feira, e a postagem de uma montagem em que o rosto de Nicolás Maduro é substituído pelo do presidente brasileiro, acompanhada de uma garrafa de cachaça e da legenda “O que o espera... #Brasil”, pelo deputado americano Carlos Gimenez, no fim de semana, são sintomas de um cenário em que a imagem e os anúncios nas redes sociais vêm ganhando maior protagonismo do que a execução da política externa, avalia Carlos Frederico de Souza Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme). Na avaliação do professor, essas manifestações tendem a se intensificar com a proximidade das eleições, o que imporá ao Brasil o desafio de separar a política externa institucional da disputa eleitoral. Ele pondera, porém, que essa divisão é bastante difícil de ser feita a apenas dois meses da eleição. — Estamos a 60 dias das eleições, e isso deve se intensificar. Acho que o governo brasileiro tem que ter bastante cuidado em separar a política externa institucional da eleitoral. Esse é o ideal, mas talvez também seja impossível de se fazer isso a 60 dias da eleição. Para Carlos Frederico, o governo não deve responder a toda e qualquer provocação. Isso porque uma resposta oficial pode alimentar um novo ciclo de notícias e dar ainda mais visibilidade a algo que, em outras circunstâncias, poderia passar despercebido. — É claro que essa postagem do deputado americano é ridícula. Mas, se o governo responder, isso joga mais atenção para o assunto. É um congressista entre centenas nos Estados Unidos; não é uma manifestação do governo americano. Se o governo americano fosse responder a qualquer post de cada um dos 513 membros da Câmara do Brasil, as coisas também não funcionariam bem. É preciso tomar cuidado e traçar uma linha tênue entre o que é uma agressão institucional e o que é uma provocação que é melhor deixar sem resposta, sob o risco de gerar ainda mais atenção para algo que ninguém teria visto. Sobre os efeitos que esse tipo de postagem pode ter sobre as eleições, o professor afirma que a interferência externa tende a ser mal recebida pelos eleitores. — A premissa geral é a de que eleitores não gostam de interferência externa
Intensificação de agressões a Lula imporá ao Brasil o desafio de separar a política externa da disputa eleitoral, diz professor
Carlos Frederico Coelho pontua que ataques de Milei e post de deputado americano fazem parte de um cenário em que imagem e as redes sociais vêm ganhando maior protagonismo do que a execução da política externa













