Avanços estão aquém das necessidades do país e devem ser buscados com mais persistência e método 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A educação melhorou nos anos iniciais do ensino fundamental, mostram os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os mesmos progressos não foram atingidos em seus anos finais e no ensino médio, cujo desempenho continua abaixo da última meta fixada para eles há cinco anos, em 2021. Estados do Nordeste, como Piauí, Ceará e Pernambuco, se destacam com boas pontuações, um sinal de esperança de que o atraso a que historicamente foi relegada a região, pode ser superado pelo avanço educacional, base para o progresso material e cognitivo. O Ideb é composto pela avaliação do aprendizado em matemática e língua portuguesa e pela taxa de aprovação dos alunos nos respectivos ciclos. Esse segundo quesito permite que um Estado obtenha um desempenho final melhor, mesmo que não mostre aprimoramento de aprendizagem. É o caso do Rio de Janeiro, cuja eliminação das reprovações convive com notas ruins de matemática e português. No ranking de conhecimento dessas duas matérias, o Estado ficou em último lugar, ao lado da Bahia. Um dos maiores gargalos da educação brasileira continua sendo o ensino médio, especialmente o administrado pelas escolas públicas. É onde se concentram o abandono precoce do ensino pelos jovens e a baixa evolução do aprendizado. No primeiro ponto, o Ideb traz notícias auspiciosas, embora devam ser temperadas pela orientação geral de reduzir a reprovação, pedagogicamente justificada. A aprovação passou de 71,8% em 2007 a 94,3% em 2025. Embora seja um estímulo à permanência nos quadros escolares, a qualidade do ensino reluta em melhorar e é uma das causas da desistência significativa dos jovens nesse faixa de instrução. A nota do Ideb foi de 4,2 em 2019 a 4,5 em 2025. A meta prevista para 2021 era de 5,2, ainda distante, e as metas dos anos anteriores igualmente não foram atingidas. Em vez de uma escala ascendente do conhecimento, os números do Ideb mostram um descenso. Nos anos finais do fundamental (6 ao 9), as notas do Ideb aumentaram de 4,9 para 5,3, sem chegar à meta de 5,5 para o ano de 2021. Os melhores resultados estão nos anos iniciais do ensino fundamental, com performance inferior nos anos finais desse ciclo e piores no ensino médio. Ainda que em situação melhor, as escolas privadas não escapam desse desenho. As notas para todo o ensino fundamental se mantiveram nas escolas pagas ao longo dos últimos seis anos, mas a conta da pandemia não foi resgatada e a performance no ensino médio mostra um declínio, de 6 para 5,8. A vantagem em relação às escolas públicas, porém, continua significativa. As diferenças de pontuação entre ambas em português e matemática equivalem, segundo os especialistas, a uma vantagem que corresponde entre 2,5 e 3 anos de aprendizado (Folha de S. Paulo, 6-8). Se a renda familiar nesse caso é determinante para a ter mais chances de sucesso em uma escola particular, no agregado dos resultados a riqueza dos Estados não assegura educação de melhor qualidade. O exemplo do Rio é um deles. O de São Paulo, outro, no qual se inclui também a capital paulista. A rede paulista ocupava o primeiro lugar no Ideb em 2015, e hoje 11 Estados têm um desempenho melhor que ela. A educação técnica e profissional melhora um pouco a situação do Estado no ranking, elevando-o à oitava posição. Três Estados se destacam nos avanços na educação na região Nordeste, o mais recente deles o Piauí, ao lado de dois outros que já vinham obtendo avanços notáveis, Ceará e Pernambuco. O Piauí foi o Estado cujas escolas obtiveram a segunda melhor nota no ensino médio e a 7ª nos anos finais do fundamental (O Globo, ontem). O Ceará se colocou no segundo lugar no ranking dos anos iniciais e em terceiro nos anos finais do ensino fundamental. Pernambuco e Ceará se destacam entre os dez primeiros no ensino médio. Todos os Estados nordestinos apresentaram avanço nas notas. Por outro lado, o Distrito Federal, que tem a maior renda per capita do país, está entre os últimos colocados. O Paraná, por sua vez, liderou o ranking em português e matemática. Apesar das diferenças regionais e de políticas dos governadores, exemplos que dão certo estão se disseminando. Irapuan Pinheiro, a 350 quilômetros de Fortaleza, com pouco menos de 10 mil habitantes, tem escolas entre as que melhor pontuam no país. Ela tem sistema de avaliação e de incentivos próprios. Os professores que deram aulas aos alunos com melhor classificação recebem um 14º salário, e os 40 estudantes mais bem posicionados ganham notebooks. Todas as escolas da cidade têm ensino em horário integral, com três refeições diárias e salas climatizadas (Estadão, 6-8). Mesmo que essas condições não possam ser generalizadas, as premissas indicam um caminho, o dos incentivos conjuntos, para professores e alunos, à medida que conseguem atingir metas de aprendizado definidas e obtenham progressos tangíveis. O Ideb mostra que houve melhoras nas notas dos alunos nas três etapas de ensino, o que é muito positivo. Os progressos são, no entanto, muito lentos, estão aquém das necessidades do país e devem ser buscados com mais persistência e método.