0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu — Foto: Ronen Zvulun/Reuters O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou no domingo (9) sua rejeição ao mais recente plano de Donald Trump para Gaza, em declarações transmitidas pela televisão durante reunião com seu governo de direita. Ao mesmo tempo, as forças israelenses reduziram significativamente os ataques no território sob pressão do presidente dos Estados Unidos. Netanyahu enfrenta dificuldades nas pesquisas enquanto se prepara para disputar a reeleição em 27 de outubro e está dividido entre ministros de extrema direita, contrários a concessões em Gaza, e seu principal aliado militar, Trump, que busca avançar para o fim do conflito com um novo roteiro de 15 pontos. Israel reduziu os ataques em Gaza desde segunda-feira (3), quando Nikolay Mladenov, enviado de Trump para o território e integrante do Conselho de Paz que supervisiona o cessar-fogo, se reuniu com Netanyahu. Uma fonte familiarizada com a posição israelense disse que o país concordou em limitar as ações militares a ameaças consideradas imediatas e não realizar novos assassinatos seletivos, como vinha fazendo quase diariamente. Mladenov afirmou no domingo que as negociações sobre o novo roteiro continuam. Trump anunciou no mês passado um avanço em seu plano para encerrar a guerra, segundo o qual Israel e Hamas haviam concordado com uma retirada das forças israelenses, enquanto o grupo palestino se desarmaria e uma Força Internacional de Estabilização trabalharia com uma nova força policial palestina para garantir a segurança do território. As negociações, porém, rapidamente enfrentaram obstáculos, principalmente em relação ao cronograma de implementação. “Israel não aceita o documento de 15 pontos”, disse Netanyahu no início de uma reunião com ministros. Os militares “não realizarão nenhuma retirada até que o Hamas seja desarmado (...) isso significa armamento pesado, armamento leve, todo tipo de armamento”. Netanyahu fez comentários semelhantes em uma publicação nas redes sociais na terça-feira (4), e autoridades israelenses disseram que suas reservas haviam sido comunicadas a Washington. Ele acrescentou que Israel mantém negociações com os Estados Unidos sobre o plano. “Eles (os EUA) têm ideias, algumas aceitáveis para nós e outras inaceitáveis, e sabemos como nos posicionar firmemente contra elas”, afirmou. Em entrevista ao canal de notícias israelense N12, Mladenov disse que Israel terá de se retirar “setor por setor” à medida que as armas do Hamas forem confiscadas e inutilizadas. Basem Naim, alto funcionário do Hamas, disse à Reuters no domingo que o grupo continua comprometido com o roteiro acordado no Cairo há 10 dias. “Esperamos que os mediadores e os Estados Unidos pressionem Netanyahu e seu governo a cumprir o roteiro e não obstruir o processo por razões políticas e eleitorais internas”, afirmou. O ministro das Finanças de extrema direita, Bezalel Smotrich, elogiou Netanyahu. “Fomos à guerra com um objetivo central: a destruição do Hamas”, disse em comunicado. “Os militares não podem recuar nem um milímetro da Faixa de Gaza.” Trump afirmou no mês passado que o Hamas, apoiado pelo Irã e que governou Gaza por quase duas décadas antes de realizar o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, que desencadeou a guerra, concordou em depor as armas. O Hamas evita usar o termo “desarmamento” e afirma ter concordado em entregar as armas para serem armazenadas sob uma administração tecnocrata palestina apoiada pelos Estados Unidos, que administraria Gaza sob supervisão do Conselho de Paz de Trump. O grupo afirma ter aceitado o plano para evitar a retomada da guerra, mas ressalta que sua implementação depende de Israel cumprir primeiro seus próprios compromissos, incluindo a retirada das tropas e a suspensão dos ataques. Antes de suspender os ataques direcionados na semana passada, Israel havia prometido perseguir os militantes que participaram do ataque de outubro de 2023. Desde o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, alcançado em outubro de 2025, mais de 1.250 pessoas foram mortas em ataques israelenses, a maioria civis, segundo autoridades de saúde de Gaza. O Hamas não divulgou o número de combatentes mortos. Quatro soldados israelenses morreram nesse período em Gaza. As tropas israelenses ocupam e mantêm despovoado cerca de dois terços do enclave, deixando quase todos os mais de 2 milhões de habitantes confinados a uma pequena faixa de terra sob controle do Hamas ao longo da costa, a maioria vivendo em tendas improvisadas ou edifícios danificados.
Netanyahu rejeita plano de Trump para Gaza e exige desarmamento do Hamas
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