O voto feminino tem o poder de decidir as eleições gerais de 2026. Quase 84 milhões dos eleitores aptos a irem às urnas (53%) são mulheres (TSE). Entre elas, pretas e pardas são maioria, considerando a demografia: 28% das brasileiras são negras (IBGE).
Mas, num país machista, misógino e racista, tamanho poder em mãos femininas (e negras) incomoda e desagrada a muita gente. A ponto de deflagrar uma campanha disparatada contra o voto feminino e em defesa de uma dita "democracia familiar".
Olhando em perspectiva, fica evidente que a controvérsia instalada por um segmento bem determinado na sociedade brasileira faz oposição à autonomia feminina conquistada nas últimas décadas. Não por acaso, a tal da "democracia familiar" está centrada num padrão de família nuclear no qual mulheres se submetem aos homens.
Historicamente, a participação feminina no cenário público (o que inclui os direitos políticos) foi rejeitada por séculos. É como se política não fosse assunto de mulher. Esse entendimento (absurdo e equivocado) se fez presente mundo afora.
Por estas terras, a tradição "mansa e pacífica" de negar às mulheres o direito de votar e ser votada só começou a mudar com o Código Eleitoral de 1932, há menos de 100 anos. E, ainda assim, o sufrágio feminino não era obrigatório, uma discricionariedade que mantinha as mulheres afastadas do processo eleitoral por uma série de razões, entre as quais destaco o jugo masculino.






