“Nunca nos deram a notícia. Nós soubemos da notícia pela internet”. Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17, eram avó, filha e neta. Elas estavam no primeiro voo do grupo, enquanto Victor, a mulher dele, Daniela Castañeda, e a filha aguardavam para embarcar no mesmo helicóptero. Segundo Victor, o passeio havia sido contratado para seis pessoas e teria duração de cerca de 20 minutos. “Chegamos para fazer um passeio de 20 minutos de helicóptero. Éramos 6 pessoas. Nos disseram que seriam 3 pessoas por helicóptero.” Victor Manrique disse que soube que as vítimas haviam morrido pela internet. — Foto: Reprodução TV Globo As três mulheres chegaram primeiro ao local e embarcaram na primeira aeronave. Os demais familiares aguardariam o retorno delas para fazer o segundo voo. “Por circunstâncias da vida, não subimos nós três no primeiro helicóptero porque elas chegaram primeiro. E elas, como chegaram primeiro, foram as primeiras. Nós íamos subir no helicóptero quando elas chegassem” Espera de 40 minutos Victor contou que o voo deveria durar aproximadamente 20 minutos, mas as três mulheres não retornaram no tempo previsto. “O voo era 20 minutos e já tinha passado meia hora, 40 minutos e não chegavam. Não nos informavam nada.” Helicóptero da empresa Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos (VRP) que caiu no Rio. — Foto: Reprodução Segundo ele, foi então que procurou funcionários da empresa para saber o que havia acontecido. A informação recebida naquele momento foi de que o piloto teria comunicado a necessidade de fazer um pouso forçado. “Fui perguntar o que estava acontecendo. Foi quando me disseram que o piloto havia reportado que tinha que fazer um pouso forçado”. O colombiano afirmou que, depois disso, os parentes continuaram sem receber uma confirmação sobre o acidente e sobre o destino das três mulheres. “Nunca nos deram a notícia. Nós soubemos da notícia pela internet”. Bombeiros avançam por área de mata em resgate após queda de helicóptero — Foto: Reprodução/TV Globo ‘Me sinto perdido, me sinto só’ Victor também pediu ajuda para lidar com a situação, destacando que é estrangeiro e não conhece o funcionamento das autoridades brasileiras. “Espero que não me deixem só aqui, porque sou uma pessoa estrangeira num país. Não conheço nada. Não conheço a lei, não conheço o idioma”. Ele também defendeu que as circunstâncias do acidente sejam investigadas de forma ampla e mencionou dúvidas sobre a contratação do passeio e as informações recebidas pela família. “Espero que não me deixem sozinho e a investigação seja exaustiva porque eu entendo que há muitas irregularidades na parte contratual, na informação de tempo.” LEIA TAMBÉM: Victor afirmou que não sabe quais procedimentos deverão ser adotados, mas pediu que o caso seja investigado. “Não sei quais serão os protocolos, mas espero que seja uma investigação para que as coisas não sejam esquecidas”. Família fazia primeira viagem ao Brasil As três vítimas colombianas estavam no Brasil pela primeira vez. Segundo familiares, elas chegaram ao país na segunda-feira e fariam uma viagem de férias. O grupo passou por Búzios e também fez outros passeios no Rio. O passeio de helicóptero foi encontrado pela família no Instagram e contratado por WhatsApp. As vítimas eram Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17. As três eram da mesma família: Rocio era avó de Sofia, e Wendy, filha de Rocio e mãe de Sofia. Detalhes do modelo do helicópterio Robinson R44. — Foto: Arte/g1 Ao falar sobre os últimos dias da viagem, Victor destacou que a família estava feliz. “Eram pessoas muito boas, muito felizes e os dias anteriores foram muito felizes. Fomos a Búzios e viemos todos para o Rio de Janeiro. Estávamos contentes”. Helicóptero caiu em área de mata O helicóptero, um Robinson R44 de prefixo PP-MFS, caiu na manhã deste sábado (8) em uma área de mata íngreme na região da Vista Chinesa. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 11h11. A aeronave explodiu após a queda e provocou um incêndio na vegetação. Os quatro ocupantes morreram carbonizados. Além das três turistas colombianas, morreu o piloto Alessandro Rocha. Cerca de 40 militares, 11 viaturas e quatro unidades operacionais foram mobilizados para o resgate. O acesso ao local foi dificultado pelo terreno íngreme e por áreas de precipício. Alessandro Rocha era o piloto do helicóptero que caiu neste sábado no Rio — Foto: Reprodução redes sociais A empresa responsável pelo helicóptero afirmou que a aeronave estava com a manutenção em dia e que a empresa tinha todos os alvarás. Segundo o advogado Bernardo Cortez, o piloto era experiente e estava com todas as licenças em dia. A empresa, porém, afirmou não saber o que provocou a queda. As circunstâncias do acidente serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). Empresa diz que presta assistência à família “Os donos da empresa já levaram os familiares para um hotel aqui na cidade para prestar toda a assistência necessária, assim como estão tentando auxiliar em todas as questões relacionadas ao funeral, no que lhes couber, para tentar amenizar essa tragédia e o sofrimento dos familiares.” Victor, no entanto, afirmou que precisa de apoio para lidar com os procedimentos após a morte dos três familiares. “Espero que me ajudem, porque me sinto perdido, me sinto só. Me sinto mal”