Turistas colombianas e piloto morreram no acidente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 No hangar, ficaram Victor Manrique, filho de Rocio e irmão de Wendy; Daniela Castañeda, nora; e Laura Manrique, neta, que fariam o passeio assim que o helicóptero retornasse — Foto: Luiz Ernesto Magalhães Uma viagem em família para comemorar os 15 anos de uma adolescente terminou em tragédia ontem no Rio. As turistas colombianas Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17, morreram na queda de um helicóptero numa área de mata nas imediações da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista. Com elas, estava o piloto Alessandro Rocha, que também morreu no acidente. Ele acumulava 20 anos de experiência como instrutor de ultraleves e helicópteros. As três são de uma família de seis pessoas que chegaram ao Rio na última segunda-feira e se dividiram para o voo panorâmico. No hangar, ficaram Victor Manrique, filho de Rocio e irmão de Wendy; Daniela Castañeda, nora; e Laura Manrique, neta e aniversariante, que fariam o passeio no voo seguinte, quando o helicóptero retornasse. Queda de helicóptero: Bombeiros trabalham em área de mata fechada para retirar corpos Em entrevista no local do acidente, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, defendeu a suspensão temporária de voos panorâmicos num pedido à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). — Isso não pode ser considerado normal. Encaminhamos um comunicado da Prefeitura do Rio para que (a Anac) tome providências em relação aos voos no Rio de Janeiro. A Anac vai precisar tomar uma decisão e se posicionar — cobrou o prefeito. —Pode ser, inclusive, com a possibilidade de suspensão dos voos panorâmicos por uma semana, duas semanas ou pelo período que seja necessário para fazer uma fiscalização mais intensa. Corpos das vítimas do acidente de helicóptero sendo retirados pelos bombeiros na mata da Vista Chinesa — Foto: Ana Branco Mais tarde, a Anac informou que conversará com o prefeito para uma atuação conjunta de fiscalização. O helicóptero era um Robinson R44, operado pela Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos Ltda, que decolou do Aeroporto de Jacarepaguá. O pacote turístico de sobrevoo contratado pelos estrangeiros custou R$ 4,4 mil. A empresa foi escolhida após contato dos turistas via Instagram. Segundo o registro da Anac, o helicóptero tinha certificado de aeronavegabilidade válido até 5 de junho de 2027. A aeronave, de operação privada, estava autorizada a realizar voos panorâmicos. Onde a aeronave caiu — Foto: Editoria Arte Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, agentes do Terceiro Serviço Regional foram acionados e investigam a ocorrência. Ainda não há detalhes sobre o que causou o acidente. Resgate por tirolesa Após a queda, o helicóptero foi localizado por uma equipe do Grupamento de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros. A retirada dos corpos foi feita por uma trilha do Parque da Cidade, segundo informações do ICMBio. O acesso foi considerado o mais viável para a operação do Corpo de Bombeiros por ficar num trecho de descida e mais próximo de onde ocorreu a queda. O corpos foram içados e colocados em uma tirolesa para descer. Posteriormente, foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML). Por volta de 13h40, os bombeiros debelaram os focos de incêndio registrados no local. A área foi isolada para preservar o cenário da ocorrência e permitir o trabalho da perícia da Polícia Civil, que ficou encarregada da identificação das vítimas. Bombeiros trabalham em área de mata fechada para retirar corpos de vítimas de acidente de helicóptero na Vista Chinesa — Foto: Ana Branco No fim da tarde de ontem, parentes das vítimas disseram que chegaram a trocar mensagens enquanto aguardavam o retorno do helicóptero. Victor Manrique, irmão de Wendy, contou que em determinado momento a irmã parou de responder. Ele acrescentou que ouviu funcionários comentarem que o piloto precisava fazer um pouso de emergência. Depois de uma hora, o estrangeiro soube da morte dos parentes por sites de notícias e confirmou ao abordar jornalistas que estavam no aeroporto. Referências à família O piloto morto na queda, Alessandro Rocha, tinha duas décadas de experiência de voo. Nas redes sociais, ele se apresentava como comandante, publicava registros ligados à rotina de voos e fazia referências à fé e à família. O piloto havia sido batizado na Igreja de Nova Vida de Olaria, na Zona Norte do Rio e se definia como “temente a Deus”. Ele deixa esposa e um filho de cinco meses. Ontem à tarde, a Associação dos Operadores Turísticos de Helicópteros do Rio de Janeiro divulgou um comunicado lamentando o acidente e informou que a atuação institucional é “voltada à promoção e adoção de medidas destinadas à mitigação dos impactos sonoros decorrentes das operações aéreas, bem como ao aprimoramento das boas práticas operacionais no âmbito de sua atuação”. A investigação técnica da segurança do voo e a investigação das causas do acidente estão a cargo do Cenipa. O piloto Alessandro Rocha, uma das vítimas da queda do helicóptero na mata da Vista Chinesa — Foto: Reprodução /Instagram A Anac, por sua vez, reiterou ontem que o equipamento tinha autorização para fazer voo panorâmico, conforme informações do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB). A agência disse ainda que está em contato com a Prefeitura do Rio para uma atuação conjunta na fiscalização, especialmente de voos panorâmicos. O advogado da empresa responsável pelo voo, Bernardo Cortez, disse que ela está prestando assistência aos parentes e que arcará com as despesas de funeral. A operação de resgate dos corpos mobilizou cerca de 40 militares, 11 viaturas e equipes de quatro unidades operacionais do Corpo de Bombeiros. *Participaram da cobertura: Ana Branco, Camila Araújo, Felipe Grinberg, Laura Alexandre, Leila Youssef, Livia Neder, Luiz Ernesto Magalhães e Thayná Rodrigues.
Viagem para celebrar 15 anos termina em tragédia: quem são as vítimas da queda de helicóptero no Rio
Turistas colombianas e piloto morreram no acidente













