Causas, que ainda são desconhecidas, estão sob investigação do Cenipa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A família de Victor em pontos turísticos do Rio antes da tragédia — Foto: Reprodução/Redes Sociais (Victor Manrique) O Dia dos Pais foi de tristeza profunda para os filhos do piloto Alessandro Rocha, um dos mortos na queda de helicóptero que matou também as colombianas Rocío Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17, durante um voo panorâmico. O acidente deixou consternados parentes que as acompanhavam na viagem. A família estava no Rio para comemorar os 15 anos de Laura Manrique, que embarcaria em seguida no mesmo helicóptero. Victor Manrique, filho de Rocío, cobrou uma investigação sobre as circunstâncias do acidente e a eventual responsabilização pelo ocorrido. Para ele, o caso não pode terminar com o retorno da família à Colômbia. — Quando existe um acidente, sempre é necessário investigar responsabilidades. Eu sei que a aviação é uma área muito regulamentada e, por isso, deve haver responsabilidades — disse o colombiano. — Não quero pensar que vão simplesmente me entregar os corpos da minha família, que eu vou levá-los para a Colômbia e, depois de alguns dias, não vai acontecer nada, todos vão esquecer, e as pessoas vão continuar operando com as mesmas regras ou da mesma forma. Exames de DNA Victor Manrique esteve no Instituto Médico-Legal (IML) com a mulher e a filha, para acompanhar os procedimentos de identificação dos corpos. Como as vítimas foram encontradas carbonizadas, a análise seria pela arcada dentária. Mas, segundo a advogada da família, apenas Sofia teria documentação odontológica disponível para comparação. Rocío e Wendy poderão precisar passar por exames de DNA. Nas redes sociais, Victor Manrique, filho de Rocío, escreveu uma despedida emocionante: “A última viagem de metade da minha família. (Dou) graças a Deus, por permitir que minha família soubesse o quão belo é este mundo e agora lhe dá a oportunidade de conhecer a beleza do paraíso. Minha irmãzinha, minha mãe e minha sobrinha, sempre as amarei nesta vida e na próxima”. A emoção também tomou conta da família do piloto. O filho Sven Rocha contou que os dois comemoraram o Dia dos Pais dois dias antes do acidente e que, no sábado, ao assistir pela TV à notícia sobre a queda de um helicóptero, imaginou que poderia tê-lo perdido. — Eu achava que meu pai ia viver para sempre. Não idealizando algo, mas meu pai era uma pessoa muito viva. Essa é a maior definição dele: vida, alegria. E ele amava o que fazia. Em menos de dois meses, dez pessoas já morreram em dois acidentes de helicóptero no Rio. Em junho, duas aeronaves se chocaram e caíram no Recreio, deixando seis mortos. No dia seguinte ao acidente, no Aeroporto de Jacarepaguá, o guichê da empresa Voos Rio Panorâmico, responsável pela aeronave que sofreu a queda no sábado, estava fechado, mas outras empresas operavam normalmente. O helicóptero é um Robinson R44. Na aeronave havia uma câmera acoplada usada para filmar o passeio panorâmico e pode ter flagrado o que aconteceu. O equipamento será periciado. Somente a investigação poderá identificar o motivo do acidente, segundo ressaltou o perito aeronáutico Daniel Calazans. Na prática, diz, nada pode ser descartado. — Esse modelo é muito seguro. Um defeito de fabricação é uma possibilidade remota. Num voo desses, há várias hipóteses. Até mesmo uma análise errada das condições climáticas como direção dos ventos e a umidade do ar podem influir para um acidente — afirma. Suporte a parentes Representante da Voos Rio Panorâmico (VRP), Eliane Ambrósio esteve o IML e informou que os voos foram suspensos na hora em que souberam do acidente. — É uma dor terrível, nada vai compensar essa perda, mas nossa principal preocupação neste momento é acolher a família, dar todo o suporte possível e fazer com que eles não se sintam desamparados — disse Eliane. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que os certificados da empresa estavam em dia. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apura o que causou o acidente. Ainda não há informações sobre os motivos da queda. Ontem, a representante da VRP reiterou que a empresa colaborará com as investigações. No sábado, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, defendeu a suspensão temporária dos voos panorâmicos pela Anac enquanto as causas do acidente são investigadas. Já a Anac informou que pretendia atuar em conjunto com a Prefeitura para melhorar a fiscalização. O prefeito e a Anac não voltaram a se manifestar.