O debate sobre as eleições presidenciais no Brasil frequentemente gravita em torno da ideia de um país irremediavelmente dividido, com o eleitorado cristalizado em suas trincheiras ideológicas. Embora o diagnóstico da polarização territorial faça sentido no agregado, ele omite uma dinâmica essencial para a compreensão da disputa pelo Executivo federal neste ano de 2026: a resiliência dos chamados "municípios pêndulo".
Uma análise dos seis segundos turnos realizados entre 2002 e 2022 revela que, em um contexto de forte consolidação de bases eleitorais à esquerda e à direita, o fiel da balança reside em um grupo de cidades marcadas pela volatilidade recorrente. Para dimensionar esse fenômeno, o INCT Representação e Legitimidade Democrática (ReDem - UFPR) examinou a evolução histórica da mobilidade do voto nos mais de 5.500 municípios do país.A análise aponta para uma drástica desaceleração na taxa de oscilação dos votos. Na transição do pleito de 2002 para 2006, o país registrou uma taxa de pêndulo na qual 40,39% dos municípios alteraram o candidato vencedor da direita (2002) para a esquerda (2006), considerando os resultados de segundo turno. Desde então, vivemos uma espécie de engessamento contínuo.











