Cheguei ao Japão há cinco dias e não esperava o que vim encontrar. O que mais me impressiona não é o fato de o Japão ser exótico, é o fato de eu ser exótico no Japão. Eles são rigorosos, competentes, pontuais. Portanto, eu destoo. Achava que era relativamente civilizado, mas descobri que sou um completo selvagem.
No caminho para cá, li algumas recomendações, que ficavam cada vez mais estranhas. Primeiro, eram dicas sobre traços gerais de comportamento: fale baixo no transporte público, não fume na rua, essas coisas. Eram sobretudo apelos à contenção. Há menos barulho em Tóquio às três da tarde do que em São Paulo às três da manhã.
Mas depois as instruções de conduta foram ficando cada vez mais restritivas: não fale no elevador, não use perfume muito forte, não use tênis de cores muito berrantes. Comecei a sentir que, em vez de visitar o Japão, estava me preparando para ir à casa de uma tia velha e severa que se irritava com facilidade.
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