A cultura ocidental está centrada no indivíduo, cujo ego ela supervaloriza. À diferença de nós, os japoneses consideram que o homem é apenas um dos elementos do cosmos, um entre outros —montanhas, árvores, que eles veneram.

A fim de saber mais sobre isso, embarquei para o país do sol nascente com pouca bagagem e imensa curiosidade. Voltei depois de ter visto maravilhas e aprendido muito com uma cultura que privilegia a vida coletiva e organiza o espaço público de modo a propiciar bem-estar para todos.

Nas ruas não há lixo, e elas são silenciosas. Andando pela avenida principal de Ginza, o único barulho que ouvi foi o do grito de uma criança. Dois milhões de pessoas passam pela estação central de Tóquio, onde há uma sala de espera, mas também é possível sentar-se ao chão sem risco de se sujar.

Assim que o "shinkansen" (trem-bala) chega e as pessoas descem do vagão, este é limpo antes da nova leva entrar. Durante a viagem, quase todos consultam o iPhone, porém ninguém fala ao celular.

Além de respeitosos, os japoneses são prestativos com o estrangeiro. Mais de uma vez eu perguntei a um desconhecido se ele acaso podia me informar como ir a um determinado lugar e ele me acompanhou até o meu destino.