Em "Techno-Negative: a Long History of Refusing the Machine" (University of Minnesota Press), o geógrafo belga Thomas Dekeyser mostra como, pelo menos desde os gregos, a tecnologia no Ocidente sempre veio acompanhada de sua negação. A constatação faz pensar na falta de uma resistência à altura da urgência e da rapacidade da inteligência artificial e na tendência um tanto imprevidente de descartarmos de saída, como ingênua ou infantil, toda manifestação "tecnopessimista".
O que falta para levar a sério os riscos da inteligência artificial? Ou a relação entre o aquecimento global e o modo de estar no mundo do qual não conseguimos abrir mão apesar da consciência do fim?
Há uma inversão perversa, própria à lógica da necessidade fabricada, que nos impede de descartar o que nos redefine em novas zonas de conforto, a ponto de acreditarmos que nos é indispensável mesmo quando nos é claramente prejudicial. É o que nos torna vulneráveis às dissimulações da máquina, que se apresenta como provedora, papel reivindicado por Hal, o computador disfuncional de "2001: uma Odisséia no Espaço", ao ser pego de calças curtas pelo único sobrevivente da tripulação que ele deveria conduzir em segurança até seu destino final.








