'Precisamos de regulação, sim. De ações coletivas também', diz autor de 'O monge, o iogue e o faquir' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ronaldo Lemos — Foto: Marcus Steinmeyer/Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você O livro 'O monge, o iogue e o faquir' propõe o equilíbrio entre corpo, mente e coração como estratégia para resistir ao controle dos algoritmos e recuperar a autonomia diante das telas. O especialista Ronaldo Lemos alerta que o brasileiro passa mais de nove horas diárias diante de telas e propõe, em seu novo livro, o resgate do equilíbrio entre corpo, mente e emoções para resistir ao controle dos algoritmos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O advogado, especialista e pesquisador de novas tecnologias e apresentador Ronaldo Lemos lembra um alarmante número logo no início da conversa: o brasileiro consome, diariamente, algo em torno de nove horas e 13 minutos de “tela”. Só os sul-africanos passam mais tempo vidrados. Isso tem um preço: a perda da autonomia física, emocional e intelectual. A investigação de como isso acontece na prática e como retomar as rédeas do presente e do futuro são as discussões que ele propõe em “O monge, o iogue e o faquir”, seu novo livro, que recebeu apropriadamente o subtítulo “Corpo, coração e mente no tempo das máquinas”. — Estamos vivendo num momento de tecnologia e de algoritmos que sugam boa parte da nossa atenção — diz ele. — O resultado disso é a perda do controle sobre as nossas escolhas, nossa formação, nossa relação com os outros e nossos interesses em prol de estímulos que vêm de fora. O nome da obra parte da ideia de três arquétipos do ser humano, presentes em diversas culturas milenares: o monge (que representa o coração e suas emoções), o iogue (ligado às noções da mente, como a atenção e o conhecimento) e o faquir (o corpo e sua materialidade). Se uma parte do trio vira dominante, a vida se desequilibra. Quando o faquir se torna “tóxico”, há uma obsessão com a performance corporal, por exemplo. Se o iogue vira “acelerado”, o resultado é o esgotamento cognitivo, algo que o próprio Ronaldo sofreu, aos 33 anos. Um dos maiores especialistas de tecnologia do Brasil, idealizador do Marco Civil da Internet (2014), veja só, tinha dificuldades no que antes era básico da rotina: dar palestras, andar de avião. — Já vivi um desequilíbrio muito profundo entre corpo, coração e mente — diz ele, hoje com 50. — Houve um momento na minha vida em que a mente dominou tudo, esqueci do coração e do corpo. O livro não é sobre mim, mas surge a partir da minha experiência. No mundo de hoje, todo mundo está sujeito a esse tipo de desafio. A obra, ele escreve, é um apelo “para resistirmos que as máquinas nos cativem e nos moldem à sua imagem e semelhança”, especialmente num cenário de vídeos curtos, feeds de rolagem infinita e (sempre ela) inteligência artificial. — Ao longo dos últimos dez anos, ficou cada vez mais difícil resistir ao fenômeno da captura (da mente). Uma das formas de sobreviver é entender o que está acontecendo e se reorganizar para escapar. A resistência, ele diz, passa por uma combinação de ações: do Estado, da sociedade e de nós mesmos. — Precisamos de regulação, sim. De ações coletivas também. Mas precisamos cuidar de nós mesmos.
Como não perder autonomia na era das máquinas? Livro de Ronaldo Lemos discute o tema
'Precisamos de regulação, sim. De ações coletivas também', diz autor de 'O monge, o iogue e o faquir'







