Quatro anos após se tornar o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, Gustavo Petro deixa nesta sexta-feira (7) a Casa de Nariño para dar lugar ao ultradireitista Abelardo de la Espriella, vencedor das eleições de junho.

Apesar do fracasso em eleger um sucessor e dos reveses ao tentar emplacar muitas de suas reformas, o líder encerra o mandato com uma esquerda consolidada no país —um feito, considerando o passado colombiano de guerra civil e aliança com os Estados Unidos.

Nos anos 2000, enquanto a América do Sul estava tomada por governos de esquerda da chamada onda rosa, a Colômbia manteve Álvaro Uribe no poder por dois mandatos (2002-2010). Mas, agora que a região está passando pela onda azul (como foi batizada, por sua vez, a ascensão de governos de direita), a Colômbia se junta à tendência com a sua versão do presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

A vantagem que Espriella conseguiu no segundo turno, no entanto, mostra a dimensão da polarização no país. Após surpreender analistas e institutos de pesquisa e liderar o primeiro turno por quase três pontos percentuais, o ultradireitista quase perdeu na votação final —mesmo após receber o apoio do presidente americano, Donald Trump.