O leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional também ajudou a ampliar a pressão sobre as taxas domésticas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Juros futuros sobem com ajustes pós-Copom e pressão externa — Foto: Ali Rezaei/Unsplash Os juros futuros encerraram o pregão desta quinta-feira (6) em alta firme, pressionados tanto pela reação dos investidores ao comunicado da decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central quanto pelo forte avanço das taxas dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), após relatos na imprensa internacional de que o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, estaria disposto a apertar a política monetária dos Estados Unidos. Além disso, o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional ajudou a ampliar a pressão sobre as taxas domésticas ― em especial na ponta longa da curva a termo, diante de uma oferta relevante de papéis de longo prazo. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2027 teve leve alta de 13,755%, do ajuste da véspera, para 13,77%; a do DI de janeiro de 2028 subiu de 13,795% a 13,865%; a do DI de janeiro de 2029 avançou de 14,01% para 14,12% e a do DI de janeiro de 2031 escalou de 14,195% a 14,33%. Embora tenha cortado a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14%, sem sinalizar de forma clara os próximos passos, em linha com o que o mercado esperava, o comunicado do Copom gerou certo ajuste nas taxas à medida que frustrou investidores que se posicionaram para uma postura mais “dovish” (inclinada a juros mais baixos). O colegiado, porém, optou por uma comunicação bastante neutra, reconhecendo tanto a melhora recente quanto os riscos que persistem no cenário, sem dar maior peso a nenhum fator em específico. “O que o Copom poderia ter feito diferente seria alterar alguns pontos e dar ao comunicado um viés ‘dovish’, o que ele não fez e acabou tirando esse risco de cauda. Por isso, [o comunicado] foi levemente ‘hawkish’ [conservador], pois o Copom não caiu na tentação de esmorecer o compromisso com a meta de inflação”, avalia Gustavo Pessoal, sócio e gestor de renda fixa da Legacy Capital. Para o gestor, o comunicado foi “sucinto e claro” e melhorou muito em relação ao da decisão de junho, que provocou bastante ruído em torno do real compromisso do BC com a meta de inflação de 3%. O cenário-base da Legacy Capital contempla mais uma redução de 0,25 ponto percentual da Selic, a 13,75%, ao passo que movimentos futuros ficarão à mercê da evolução dos dados e da guerra no Oriente Médio e, no horizonte mais longo, das eleições presidenciais e da política fiscal que resultar do pleito. “É difícil cravar, mas a guerra parece estar caminhando para um fim, e se, de fato, for fechado um acordo entre os EUA e o Irã para liberar o tráfego pelo Estreito de Ormuz, teremos um petróleo mais tranquilo e Fed nem deve precisar subir os juros. Isso resultaria em um dólar mais fraco, e a gente poderia começar a olhar e depender mais dos dados correntes de atividade e inflação”, diz Pessoa, destacando que ambos estão mostrando arrefecimento, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Por ora, porém, o futuro da política monetária americana segue mais incerto que o da brasileira no curto prazo, o que tem provocado volatilidade nos mercados de juros. Hoje, o Financial Times reportou que o presidente do Fed, Kevin Warsh, está disposto a subir juros nos EUA, o que levou a uma reprecificação dos Treasuries que afetou a renda fixa doméstica. Ao fim da sessão em Nova York, a taxa da T-note de dois anos subiu de 4,192% a 4,258% e a da T-note de dez anos aumentou de 4,617% para 4,681%. “Se a guerra se aprofundar, o Fed vai ter que subir os juros. Hoje, acho que estão bem divididas as possibilidades de alta e manutenção [na próxima decisão do Fed, em setembro], e tudo está totalmente dependente de como a guerra evoluirá até lá”, avalia Pessoa, que vê como improvável um aumento de juros nos EUA no quarto trimestre, caso ele não ocorra em setembro. Mais à frente, o que definirá a extensão do ciclo de cortes da Selic serão as eleições e a política fiscal do governo a partir de 2027. Para o gestor da Legacy, mesmo que Lula seja reeleito, uma mudança que reduza o gasto real do governo a um limite de 1,5% do PIB (ante os 2,5% atuais) já seria suficiente para melhorar as expectativas de inflação do mercado e ampliar o espaço para a flexibilização monetária. No entanto, sem um “compromisso fiscal diferente e austero”, as expectativas de longo prazo tendem a subir mais e praticamente impedir novos cortes da Selic. Sem uma redução adicional dos juros, “o cenário vai ficar bem complicado; com um custo da dívida estratosférico, veremos uma dinâmica mais explosiva” das contas públicas, alerta Pessoa.
Juros futuros sobem com ajustes pós-Copom e pressão externa
O leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional também ajudou a ampliar a pressão sobre as taxas domésticas







