Laudo pericial inédito detalha que tripulação ignorou alarme crítico de perda de velocidade para falar no rádio e repassar procedimentos de rotina 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Destroços do avião da Voepass que caiu em agosto de 2024, em Vinhedo (SP) — Foto: Divulgação/Governo do estado de São Paulo A contagem regressiva para o descontrole do voo 2283 da Voepass durou exatos 20 segundos. Um laudo pericial da Polícia Federal, obtido pelo GLOBO, detalha pela primeira vez o que ocorria no interior da cabine de comando durante a estreita janela de tempo em que a queda em Vinhedo (SP) ainda poderia ser evitada. Segundo a investigação, no momento em que a aeronave enfrentava uma degradação severa provocada pelo gelo, os pilotos priorizavam tarefas burocráticas, isolando-se da real situação de perigo. O documento elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF esquadrinha a inércia da tripulação logo após o acionamento do alerta de Increase Speed (aumentar velocidade). O aviso é a última linha de defesa antes de um estol — a perda de sustentação aerodinâmica. Em vez de assumirem o controle manual e iniciarem as manobras emergenciais previstas pelo fabricante, o comandante e o copiloto mantiveram o foco na preparação administrativa para o pouso. A perícia criminal revela que, durante esses chamados "20 segundos de ouro" que antecederam a entrada do ATR 72-500 em um parafuso irreversível, a dupla estava ocupada transmitindo mensagens de rádio para a base de operações da companhia (o setor de despacho), localizada em Guarulhos. Simultaneamente, os aviadores dividiam a atenção com a leitura de checklists ordinários e a condução do briefing (repassem de instruções) de aproximação. O laudo é contundente ao descrever a total perda de consciência situacional dentro do cockpit. De acordo com o texto assinado pelos peritos federais, no instante de maior gravidade técnica do trajeto, a tripulação “manteve seu foco de atenção em tarefas rotineiras da cabine e em comunicações com o despacho”. Ao optarem por cumprir a burocracia da companhia aérea em vez de priorizar a pilotagem primária da máquina, os comandantes selaram o destino do voo. O relatório conclui que o excesso de concentração nos protocolos de rotina fez com que ambos operassem às cegas em relação à física do avião, já que “se mantiveram alheios aos alarmes vitais de desempenho e aos sucessivos alertas do sistema de monitoramento". Para a Polícia Federal, o episódio ilustra uma quebra no princípio mais básico da aviação de emergência: voar a aeronave primeiro, para só depois comunicar. A falha em hierarquizar essas prioridades transformou uma pane aerodinâmica administrável em um mergulho definitivo, custando a vida de todos os 62 ocupantes a bordo.
Distração fatal: pilotos da Voepass perderam '20 segundos de ouro' focados em tarefas burocráticas, revela PF
Laudo pericial inédito detalha que tripulação ignorou alarme crítico de perda de velocidade para falar no rádio e repassar procedimentos de rotina
















