Em documento, a PGR se posicionou favoravelmente à quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Weverton Rocha (PDT-MA) — Foto: geraldo magela/agência senado A Procuradoria-Geral da República afirmou serem "precipitada" as buscas em endereços de familiares do senador e vice-líder do governo no Senado, Weverton Rocha, e no escritório de advocacia de Willer Tomaz, advogado com forte trânsito entre políticos em Brasília e amigo do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No documento, a PGR ainda indicou ser favorável à quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados. Leia mais O Valor teve acesso ao parecer da PGR , que está sob sigilo, e expõe a avaliação do órgão sobre o pedido de buscas feito pela PF e que foi autorizado por André Mendonça nesta semana. No documento, assinado pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, o Ministério Público afirma ser necessário aguardar a quebra de sigilo bancário dos investigados e a análise dos dados para, depois, decidir em relação a quais investigados haveria motivo para a realização de buscas. "Por ora, qualquer outra iniciativa probatória de natureza cautelar, sobretudo aquelas que se cumprem de forma ostensiva, tornando-se conhecidas dos investigados, e comumente expostas ao domínio público, parecem precipitadas", afirmou Chateaubriand no parecer enviado no dia 30 de julho ao ministro André Mendonça. No documento, o vice-PGR ainda reconhece que as suspeitas levantadas pela PF apontam para um "quadro verossímil". "Ainda que o conjunto de indícios até o momento colhido desenhe um quadro verossímil de eventos, as quebras de sigilo servirão para confirmar, com a consistência necessária, a origem dos recursos movimentados pelos investigados, as conexões financeiras entre si estabelecidas e o possível descompasso patrimonial", segue o parecer. As buscas foram autorizadas por Mendonça no âmbito da operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos em folha de aposentados do INSS e na qual o senador já havia sido alvo de buscas ano passado. Como mostrou o Valor, a PF encontrou uma série de diálogos no celular de Weverton Rocha e cruzou com outros dados da investigação para apontar a suspeita de que o senador e o advogado teriam participado de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro desde, pelo menos, 2023. A estrutura criada para lavar dinheiro envolveria parentes do parlamentar, empresas familiares, postos de gasolina e até pelo uso do próprio escritório de advocacia. Dentre os episódios, os considerados mais sensíveis foram a compra de uma casa no Lago Sul, em Brasília, no valor de R$ 6 milhões por uma empresa de Willer Tomaz. As investigações apontam que o imóvel seria, de fato, do senador. Também chamou atenção da PF o fato de a esposa do parlamentar, Samya Rocha, ter recebido R$ 11 milhões do escritório de advocacia de Tomaz desde o fim de 2024. Em nota, o escritório afirmou que ela era advogada associada do escritório e que os valores seriam referentes a honorários advocatícios. "A advogada Samya Rocha atua há vários anos como associada do escritório de advocacia. Todos os valores a ela repassados decorrem da prestação de serviços advocatícios, estão devidamente documentados e foram regularmente declarados. Quanto ao imóvel mencionado, Willer Tomaz esclarece que, em sua atuação empresarial, é proprietário de uma imobiliária sediada em Brasília, que possui, administra e negocia diversos imóveis na capital federal. As atividades da empresa são realizadas regularmente, não havendo qualquer irregularidade nas operações citadas", diz a nota. Já o senador divulgou nota afirmando que todas as movimentações apontadas pela PF são legais e declaradas à Receita. "Apesar da minha indignação, recebi essa operação com a tranquilidade que me foi possível, pois nada tenho a esconder. Todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais. E foram devidamente declaradas à Receita Federal", informa a nota.
PGR chamou de ‘precipitada’ buscas em endereços de Weverton Rocha e Willer Tomaz
Em documento, a PGR se posicionou favoravelmente à quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados











