Operação desta terça-feira foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem como alvo principal o advogado Willer Tomaz 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Weverton Rocha, no plenário do Senado — Foto: Carlos Moura/Agência Senado/16-12-2025 Ao pedir aval do Supremo Tribunal Federal (STF) para a deflagração de uma nova operação no âmbito das investigações de um esquema bilionário de desvio de aposentadorias do INSS, a Polícia Federal apontou a apreensão, em maio de 2026, de R$ 1 milhão em dinheiro vivo que seria destinado a um ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA). A operação desta terça-feira (4) tem como alvo principal o advogado Willer Tomaz, apontado como operador financeiro do senador, e familiares do vice-líder do governo Lula no Senado. Autorizada pelo ministro do Supremo André Mendonça, esta fase da Operação Sem Desconto se baseia em informações extraídas do celular de Weverton. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se opôs à busca e apreensão autorizada pelo relator, defendendo a adoção de "medidas menos ostensivas", como quebras de sigilo. A apreensão de R$ 1 milhão é apontada pela PF como um elemento que confirma a hipótese de circulação de dinheiro “fora do sistema bancário formal”, conforme trecho da decisão de Mendonça. De acordo com a PF, Weverton recebia altos valores em espécie de uma funcionária do escritório do advogado Willer Tomaz que seria uma espécie de contadora. “Os controles de FAYLA registrariam, entre maio e julho de 2024, lançamentos e repasses em espécie de R$ 500.000,00, R$ 1.000.000,00, R$ 1.500.000,00 e outros valores, próximos a tratativas sobre aeronaves privadas, pilotos, hangares e deslocamentos entre Brasília e o Maranhão.” No escritório de advocacia de Willer, a PF apreendeu uma máquina com capacidade de contar até 1.200 notas de dinheiro por minuto, e que funciona para moedas como real, dólar e euro. Em uma busca na internet, a equipe do blog localizou modelos à venda por cerca de R$ 12 mil, da marca Munbyn. Segundo a PF, a análise do celular de Weverton apontou a utilização de dinheiro vivo entre alvos da investigação e circulação de valores entre pessoas físicas e jurídicas, além de investimentos em imóveis, veículos, aeronaves, propriedades rurais e empresas de radiodifusão. "A apuração teria alcançado, ainda, movimentações potencialmente relacionadas a empresas contratadas por prefeituras maranhenses, pessoas jurídicas da construção civil, agentes políticos locais e contratos públicos municipais", frisou Mendonça. Veja os modelos de carros de luxo encontrados pela PF em busca e apreensão na casa do 'Careca do INSS' 1 de 5 Porsche 911 apreendido na casa do empresário Antonio Carlos Camilo Nunes, conhecido como "careca do INSS" — Foto: Reprodução/PF 2 de 5 Porsche Panamera também achado no local e avaliado em mais de R$ 890 mil — Foto: Reprodução/PF X de 5 Publicidade 5 fotos 3 de 5 BMW Competition, que custa a partir de R$ 890 mil, fazia parte da "frota de luxo" do empresário — Foto: Reprodução/PF 4 de 5 BMW do modelo M135i apreendido na garagem da casa buscada pela PF — Foto: Reprodução/PF X de 5 Publicidade 5 de 5 Range Rover também foi achada por agentes da PF no local — Foto: Reprodução/PF Reprodução/PF Rocha foi alvo de um mandado de busca e apreensão, em dezembro do ano passado, em outra fase da operação. Naquela ocasião, Mendonça apontou que o senador “teria se beneficiado dos valores ilícitos provenientes dos descontos associativos fraudulentos”. À época, o senador afirmou que "recebeu com surpresa a busca na sua residência" e que "com serenidade se coloca à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tiver acesso integral à decisão". ‘Hub financeiro’ Ao todo, a PF cumpre nesta terça-feira 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão com o objetivo de apurar suspeitas de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes no INSS. No escritório do advogado Willer Thomaz, os policiais também encontraram dinheiro em espécie. As investigações tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras que teriam utilizado pessoas físicas e jurídicas, contas de terceiros e estruturas empresariais para ocultar a origem e a destinação dos recursos. De acordo com a PF, Willer atuaria como "verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico" colocado à disposição de Weverton. Em nota, Willer disse que as diligências desta terça-feira “decorrem exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público”. “Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal. A disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados”, diz outro trecho do comunicado, que também aponta que o advogado está à disposição das autoridades. O escritório Willer Tomaz Advogados Associados, segundo o site oficial, prioriza “a prestação de serviços jurídicos, tanto no âmbito consultivo, quanto no contencioso, com soluções jurídicas”. Willer é amigo pessoal do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Envolvimento do senador O senador Weverton Rocha é um dos vice-líderes do governo no Senado e um nome de confiança do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Seu nome foi um dos primeiros a surgir por suposto envolvimento nas fraudes dos aposentados, e ele chegou a admitir ter se reunido ao menos duas vezes com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Nesta fase, o senador não foi alvo direto da operação, mas sim seus familiares. A decisão que autorizou a operação menciona a esposa do parlamentar, Samya Rocha, e suas irmãs, Geyse Rocha e Shainess Kellmassen Rocha. Para Mendonça, a inclusão de Samya nas investigações “não se dá em razão do vínculo conjugal”. O magistrado aponta sua suposta participação no esquema a partir do recebimento de valores ilícitos, sendo “destinatária de repasses expressivos” e participante de tratativas sobre imóveis, reformas e despesas do casal por meio da “Rocha Holding Patrimonial”.
PF aponta apreensão de R$ 1 milhão em dinheiro vivo em investigação que mira senador
Operação desta terça-feira foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem como alvo principal o advogado Willer Tomaz














