Senador do PDT e Willer Tomaz foram alvo de operação da PF, autorizada por André Mendonça 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Weverton Rocha (PDT-MA) — Foto: Carlos Moura/Agência Senado A Procuradoria-Geral da República manifestou-se contra as buscas realizadas nesta terça-feira (4) pela Polícia Federal em endereços ligados a familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e no escritório do advogado Willer Tomaz. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), como parte da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos a aposentados e pensionistas do INSS. Para a PGR, os indícios levantados pela Polícia Federal indicam um quadro "verossímil" e que medidas menos drásticas, como quebras de sigilo, poderiam ajudar a investigar a origem dos recursos movimentados pelos suspeitos. "Em seu parecer nos autos, o Ministério Público Federal se manifestou pelo indeferimento das medidas de busca e apreensão. Pondera que, ainda que o conjunto de indícios colhido até o momento desenhe um quadro verossímil de eventos, medidas menos ostensivas, como quebras de sigilo, poderão servir para confirmar, com a consistência necessária, a origem dos recursos movimentados pelos investigados, as conexões financeiras entre si estabelecidas e o possível descompasso patrimonial". A posição difere da adotada pela PF, que analisou movimentações financeiras, operações envolvendo empresas e conversas extraídas do celular do senador para apontar que o parlamentar e o advogado atuariam para lavar dinheiro e ocultar patrimônio desde 2023. Ao analisar o caso, o ministro André Mendonça atendeu aos pedidos da PF e autorizou as buscas e quebra de sigilo telemático do celular de Willer Tomaz para que a corporação pudesse rastrear a localização dele na véspera da operação policial. Na decisão, Mendonça afirma que os fatos apontados pela PF não seriam "meras conjecturas" e que os alvos poderiam destruir provas. "A narrativa policial não se ampara em meras conjecturas, mas em conjunto articulado de mensagens extraídas de aparelhos eletrônicos, metadados documentais, vínculos societários, coincidências cadastrais, estruturação empresarial, inteligência financeira e descrição de fluxos patrimoniais em tese incompatíveis com a licitude ordinária. O estado atual da investigação revela plausibilidade concreta da hipótese de que documentos, dispositivos e registros essenciais à elucidação dos fatos estejam sob a guarda dos alvos indicados", assinalou o ministro na decisão. "A prova digital pode ser rapidamente apagada, alterada, migrada ou criptografada. Documentos físicos podem ser ocultados ou substituídos. Valores em espécie e bens móveis podem ser rapidamente deslocados. E a estrutura descrita pela Polícia Federal envolveria operadores financeiros, empresas e meios privados de transporte. Daí a necessidade de cumprimento célere, coordenado, sigiloso e, sempre que operacionalmente possível, simultâneo das diligências", seguiu Mendonça. As investigações apontam Tomaz como o articulador da estrutura que teria feito pagamentos, fornecido aeronaves e imóveis e também operadores financeiros para atender aos interesses do senador Weverton Rocha. Para a PF, o advogado seria um "hub financeiro, patrimonial e logístico" para atender aos interesses do vice-líder do governo no Senado. Em nota, o parlamentar afirmou que "todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais. E foram devidamente declaradas à Receita Federal". "Apesar de não ter sido diretamente o alvo da operação de hoje, eu sabia que, com a minha candidatura ao Senado e as minhas posições políticas, sofreria ataques. Por isso, não fiquei surpreso com essa nova operação da Polícia Federal. Eu só não esperava que eles fossem tão longe, ao envolver a minha família e até apoiadores políticos. Apesar da minha indignação, recebi essa operação com a tranquilidade que me foi possível, pois nada tenho a esconder" diz a nota do senador. "Todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais. E foram devidamente declaradas à Receita Federal. Quero ressaltar, que o Ministério Público Federal foi novamente contra a busca e apreensão contra meus familiares e apoiadores. Apesar da dureza do jogo político, reafirmo que não me renderei. Me manterei firme no propósito de lutar pelo Maranhão, ao lado de todos que mais precisam", segue o texto.