A Polícia Federal (PF) afirma que o senador e vice-líder do governo no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA), lavou dinheiro e ocultado patrimônio por meio de uma sofisticada rede de empresas, relações comerciais e negócios em nome de seus familiares desde 2023, o primeiro ano do terceiro mandato do presidente Lula. A esposa, a filha e duas irmãs de Rocha, além do advogado Willer Tomaz, foram alvos de nova fase da Operação Sem Desconto nesta terça-feira (4). Segundo as investigações, a relação de Weverton Rocha com Willer Tomaz para supostamente lavar dinheiro teria envolvido postos de combustível, empresas familiares, fazendas, viagens em jatinho para transportar dinheiro vivo, repasses por meio de escritórios de advocacia e até mesmo a compra da mansão do senador em Brasília, que teria adquirida por uma empresa de Tomaz. As informações constam na representação em que a PF solicitou as buscas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nova etapa da operação. "A hipótese criminal apresentada pela autoridade policial é a de que Weverton Rocha Marques de Sousa, Willer Tomaz de Souza e os demais investigados teriam concorrido, ao menos desde 2023, para ocultar ou dissimular a origem, a movimentação, a disponibilidade, a propriedade e a titularidade real de bens, direitos e valores provenientes, direta ou indiretamente, de infrações penais antecedentes, mediante empresas interpostas, contas pessoais e familiares, postos de combustíveis, sociedades patrimoniais, contratos, registros contábeis, numerários em espécie e ativos formalmente dissociados de seu possível beneficiário econômico", afirmou Mendonça na decisão. A PF levantou as suspeitas a partir de informações encontradas no celular do senador, que foi alvo de buscas em uma fase anterior da Sem Desconto, no ano passado, por suspeitas de ser um dos beneficiários finais do esquema de fraudes no INSS. A PF cruzou as informações com outros dados encontrados ao longo da Sem Desconto e se deparou com uma estrutura mais ampla de lavagem de dinheiro envolvendo familiares de Rocha e empresas de Willer Tomaz, advogado conhecido em Brasília por sua relação com políticos. "Segundo a autoridade policial, a análise do referido material telemático revelou quadro mais amplo, caracterizado por (circulação de valores entre pessoas físicas e jurídicas, (ii) utilização de numerário em espécie, (iii) pagamento de despesas pessoais e familiares, (iv) aquisição ou fruição de bens em nome de terceiros e (v) investimentos em imóveis, veículos, aeronaves, propriedades rurais, empresas de radiodifusão e outros ativos de elevado valor. A apuração teria alcançado, ainda, movimentações potencialmente relacionadas a empresas contratadas por prefeituras maranhenses, pessoas jurídicas da construção civil, agentes políticos locais e contratos públicos municipais", segue a decisão do ministro. As investigações apontam Tomaz como o articulador da estrutura que teria feito pagamentos, fornecido aeronaves e imóveis e também operadores financeiros para atender aos interesses do senador Weverton Rocha, Para a PF, o advogado seria um "hub financeiro, patrimonial e logístico" para atender aos interesses do vice-líder do governo no Senado. Esposa, filha e irmãs são citadas pela PF A esposa do senador, Samya Rocha, seria a responsável pela Rocha Holding Patrimonial e destinatária de valores do suposto esquema de lavagem. Segundo a PF ela seria ainda "participante de tratativas sobre imóveis, reformas e despesas do casal". Já Anna Catarina, filha do parlamentar, seria a responsável pela "gestão operacional e financeira" de dois postos de combustíveis da família que também teriam sido utilizados para lavagem: Petro São Francisco e Petro São José. Geyse Rocha, irmã do senador, seria a responsável por administrar "interesses patrimoniais, propriedades rurais, empresas de radiodifusão, documentos e regularizações". A outra irmã, Shaines Rocha, por sua vez "seria possível canal bancário de passagem, recepção ou redistribuição de recursos. Dentre os fatos que chamaram atenção de Mendonça estão a compra de uma mansão de R$ 6 milhões no Lago Sul, área nobre de Brasília, pela WT Administração de Imóveis, empresa de Willer Tomaz. Segundo a PF, o imóvel é a residência do senador, que teria inclusive discutido sobre sua compra. "O parlamentar teria participado das tratativas com vistas à sua aquisição, em contexto no qual foram mencionados os valores de R$ 4.000.000,00 a título de sinal e R$ 2.000.000,00 de saldo. Nada obstante, a efetiva aquisição do imóvel foi formalizada, em abril de 2023, pela WT administração de imóveis e bens S/A, sociedade vinculada a Willer Tomaz, pelo valor total de R$ 6.000.000,00. A dissociação entre a titularidade registral e o alegado domínio econômico constitui um dos pontos centrais da apuração", diz a decisão de Mendonça. Em outra frente, a esposa do parlamentar é apontada como destinatária de vultosos recursos, incluindo uma transferência de R$ 500 mil que teria sido feita por meio de uma operadora financeira chamada Fayla Menezes, ligada ao escritório de Willer Tomaz, após ela ser cobrada pelo senador Weverton. A esposa do parlamentar ainda seria destinatária de cerca de R$ 11 milhões do escritório Aragão e Tomaz advogados, de acordo com controles de pagamentos mantidos por Fayla e encontrado pela PF em fases anteriores da Sem Desconto. Há também suspeita de que aeronaves tenham sido utilizadas para transportar dinheiro em espécie no esquema envolvendo Willer Tomaz e Weverton Rocha. "A possível utilização de dinheiro em espécie também é associada à logística aérea. Os controles de Fayla registrariam, entre maio e julho de 2024, lançamentos e repasses em espécie de R$ 500.000,00, R$ 1.000.000,00, R$ 1.500.000,00 e outros valores, próximos a tratativas sobre aeronaves privadas, pilotos, hangares e deslocamentos entre Brasília e o Maranhão", diz a decisão de Mendonça em referência à representação da PF. O que dizem os citados Em nota, Weverton Rocha afirmou que não é alvo direto da operação, que não tem nada a esconder e se disse indignado pela investigação atingir seus familiares. "Eu sabia que, com a minha candidatura ao Senado e as minhas posições políticas, sofreria ataques", escreveu no comunicado. Segundo o senador, as movimentações mencionadas no relatório da PF são resultado de atividades profissionais e empresariais declaradas à Receita Federal. O advogado Willer Tomaz divulgou nota por meio de sua assessoria na qual afirma que foi alvo da operação por ter emprestado seu jatinho para o senador Weverton Rocha. "Willer Tomaz, advogado e empresário, esclarece que a diligência de busca e apreensão a que foi submetido nesta manhã decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público. Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal.", diz a nota. "A disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados. O advogado reitera que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e confia na apuração serena dos fatos, certo de que sua conduta em nada se relaciona com o objeto da operação.", segue o texto