0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Weverton Rocha — Foto: Lula Marques/Agência Brasil A Polícia Federal aponta que a esposa do senador Weverton Rocha (PDT-MA), Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha, teria recebido mais de R$ 11 milhões do escritório de advocacia Aragão e Tomaz Advogados, de Brasília, desde dezembro de 2024 como parte da estrutura utilizada para supostamente lavar dinheiro para o parlamentar. As informações constam na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou buscas contra os familiares de Weverton Rocha e também em endereços de dois escritórios de advocacia em nome de Willer Tomaz: o Aragão e Tomaz Advogados e Willer Tomaz Advogados Associados. O ministro também autorizou a quebra de sigilo de dados telemáticos de Willer Tomaz para que a PF pudesse localizar ele na véspera da operação. "No ponto da representação policial e da Informação de Polícia Judiciária que a subsidia, verifica-se que o referido escritório advocatício aparece, em tese, como possível referência contábil, origem ou canal de pagamentos registrados sob a rubrica “AT”, sendo eventualmente vinculado a repasses para SAMYA em valores superiores a R$ 11.000.000,00 constituindo estrutura substancialmente vinculada a Willer Tomaz", afirmou Mendonça na decisão que autorizou a operação nesta terça-feira (4). Segundo as investigações, a esposa, a filha e duas irmãs do senador teriam envolvimento em uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro por meio de várias empresas que receberiam recursos da estrutura de Willer Tomaz. Em nota, o advogado nega irregularidades e diz apenas ter emprestado seu jatinho particular para o senador. As suspeitas da PF são de que Weverton Rocha receberia propinas para manter o esquema de fraudes em descontos no INSS. Ao longo das investigações, no entanto, a corporação diz ter se deparado com uma rede de lavagem que pode ser até mais ampla, o que motivou a operação desta terã-feira contra parentes do senador e contra o próprio Willer Tomaz e seu escritório. Além de Willer, o escritório Aragão e Tomaz tem o ex-ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff, Eugênio Aragão, como um dos sócios. Conhecido por sua boa relação com políticos em Brasília, Willer Tomaz já foi tratado como "amigo" pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro durante sessão da CPI da Covid no Senado. Ao autorizar as buscas nos escritórios de advocacia de Tomaz, Mendonça deixou claro que a PF não poderia analisar informações e documentos sobre clientes do escritório ou sobre fatos que não tivessem relação com a investigação envolvendo Weverton Rocha e seus familiares. O ministro ainda vedou buscas em outros sócios dos dois escritórios, poupando assim Eugênio Aragão. "Documentos, mensagens, arquivos e dados relacionados a clientes estranhos aos fatos não poderão ser examinados ou apreendidos. Havendo dúvida razoável quanto à incidência do sigilo profissional, o material deverá ser imediatamente segregado e lacrado, com registro circunstanciado da ocorrência, vedada a análise de seu conteúdo pela equipe de cumprimento, e encaminhado ao Juízo para deliberação sobre a triagem, com ciência do representante da OAB e dos interessados", relata a decisão. O ministro ainda determinou que, se houver encontro de provas que indiquem a ocorrência de outros crimes não ligados a Sem Desconto nos endereços dos escritórios de advocadia, os materiais devem ser apreendidos e lacrados e serem submetidos à Justiça. "Na hipótese de encontro fortuito de prova penalmente relevante sem relação com a investigação, o conteúdo deverá ser segregado e submetido ao Juízo, vedada sua exploração até ulterior decisão judicial específica". Procurado por meio de sua defesa, o senador e sua família ainda não se manifestaram.