Não existe tempo suficiente para dar conta de tudo o que disputa a nossa atenção. Se antes o desafio era encontrar informação, hoje é saber filtrá-la. Como explica o pesquisador Tim Wu, autor de The Attention Merchants, boa parte da economia digital funciona a partir de uma lógica simples: oferecer serviços aparentemente gratuitos em troca daquilo que realmente tem valor comercial —a nossa atenção.

Quanto mais tempo permanecemos olhando para uma tela, mais anúncios nos impactam, mais dados produzimos e mais dinheiro movimentamos. "Precisamos agir, individual e coletivamente, para que nossa atenção volte a ser nossa e, assim, recuperar o controle sobre a própria experiência de viver", diz.

Não quero nem saber

Se a atenção é um recurso limitado, fazer bom uso dela depende não apenas do que escolhemos acompanhar, mas também do que decidimos, intencionalmente, ignorar. Alguns pesquisadores chamam essa estratégia de ignorância crítica. É o caso do psicólogo cognitivo Ralph Hertwig, que publicou, em 2022, um artigo sobre o tema.

Isso não significa defender a alienação, mas reconhecer, simplesmente, que ninguém consegue estar por dentro de tudo. Assim, em vez de consumir conteúdos no piloto automático, podemos escolher com mais cuidado onde colocar a atenção e deixar de lado aquilo que dificilmente vai acrescentar —seja em conhecimento, seja em entretenimento.