Acusações contra Lulinha e ex-chefe de gabinete de presidente não podem ser atribuídas a motivação eleitoral 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo/04/08/2026 É preciso esclarecer a fundo as suspeitas de tráfico de influência e corrupção que rondam o Palácio do Planalto. Elas envolvem personagens como o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que deixou o governo para atuar na coordenação da campanha à reeleição de Lula, depois se viu constrangido a deixar a própria campanha diante das denúncias. Lulinha é alvo de três inquéritos, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal para apurar se ele favoreceu empresários interessados em negócios com órgãos públicos e se atuou em benefício próprio. Marco Aurélio é investigado por ter recebido dinheiro de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e parceira de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como chefe do esquema bilionário de fraudes que lesou aposentados. Embora os acusados neguem as acusações e apontem motivação política nas denúncias, são suspeitas graves demais para ser desprezadas. Por mais que Lula queira se distanciar dos escândalos, as novas revelações o constrangem às vésperas da campanha eleitoral. Por envolverem figuras extremamente próximas a ele, demandam explicações rápidas e convincentes. As acusações contra Marco Aurélio agravam a crise instalada pelas investigações contra Lulinha, alvo de dois inquéritos autorizados pelo ministro André Mendonça e de um terceiro avalizado pelo ministro Flávio Dino. Marco Aurélio confirmou ter recebido o dinheiro de Roberta, como revelou o colunista Lauro Jardim, do GLOBO. Alega ter sido um empréstimo pessoal e afirma ter devolvido R$ 249 mil a ela por meio de transferência bancária. As transações de Roberta estão no radar de várias investigações da Polícia Federal (PF) decorrentes das fraudes no INSS. As investigações tentam esclarecer se Lulinha se aproveitava da proximidade com o poder para abrir as portas do Ministério da Saúde, da Dataprev e de outros órgãos públicos a empresários e lobistas como Antunes, preso pelas fraudes no INSS. Ele é apontado como interessado em firmar contratos com o governo para fornecer Cannabis medicinal ao SUS. De acordo com a PF, pagou viagem de Lulinha a Portugal para visitar uma fábrica de medicamentos. Roberta reconheceu ter apresentado Lulinha a Antunes e foi diversas vezes ao Palácio do Planalto, por vezes para encontros que não ficaram registrados em nenhuma agenda. Lula tem repetido que não protegerá o filho e que as investigações demonstram a autonomia da PF. Mas é indisfarçável o mal-estar no entorno do presidente. É natural que aliados acusem objetivos políticos nas investigações. Mas os petistas fazem o mesmo quando escândalos abalam seus oponentes. Apurações da PF e decisões da Justiça não podem ficar condicionadas ao calendário eleitoral, especialmente quando tratam de suspeitas graves de tráfico de influência e corrupção dentro do governo. É preciso investigar. Se ficar comprovado algum crime, os responsáveis terão de responder de acordo com a letra da lei, independentemente de sobrenome ou relação política.
Suspeitas justificam investigar filho e ex-assessor de Lula
Acusações contra Lulinha e ex-chefe de gabinete de presidente não podem ser atribuídas a motivação eleitoral














