Lista é seguida pela Rússia, que possui taxa real de 9,09%, e Colômbia, com taxa de 6,16% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sede do Banco Central brasileiros em Brasília — Foto: Bloomberg Mesmo com a redução da Taxa Selic nesta quarta-feira em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, o Brasil lidera a posição no ranking das maiores taxa de juros reais do mundo. Na comparação com outras 40 nações, a Selic a 14% traz um juro real de 9,73%. O segundo lugar é da Rússia, com taxa de juros reais de 9,09%. Por lá, a taxa nominal é de 14,5%. A taxa real, que considera descontada a inflação dos próximos doze meses, supera a de países com juros tradicionalmente altos, como Turquia e Colômbia. O levantamento foi realizado pela MoneYou e da Lev Intelligence. Depois de Brasil e Rússia, a lista é seguida pela Colômbia, com taxa real de 6,16%, enquanto a Indónésia está em quarto lugar, com taxa real de 4,61%. A nossa taxa real também fica à frente de outros países da América Latina, como a Argentina, em quinto lugar, com taxa de 4,51%, e o Chile, em nono lugar, com taxa real de 2,04%. De acordo com Jason Vieira, economista-chefe da consultoria e responsável pelo estudo, o impacto do conflito entre o Irã e os EUA e o reflexo nos preços alterou a dinâmica das projeções globais de inflação para os próximos 12 meses. Ao mesmo tempo, ele diz, houve um reposicionamento dos países diante do que chamou de “posturas mais conservadoras das autoridades monetárias, em meio à imponderabilidade dos eventos”. O reposicionamento dos países no ranking de 45 dias atrás foi, segundo o comunicado, reflexo das revisões para cima da inflação prevista nos próximos meses para estes países. Em termos nominais, sem descontar a inflação, o Brasil figura em quarto lugar no ranking, com 14% ao ano. O país fica atrás da Turquia (37% ao ano), Argentina (29% ao ano) e Rússia (14,5% ao ano). O levantamento apontou que dez países registraram taxa de juro real negativa. Este é um cenário em que a inflação supera o rendimento nominal de um investimento, resultando em perda do poder de compra. Registraram taxas negativas o Japão (-1,42%), a Nova Zelândia (-1,05%), Espanha (-0,9%), Argentina (-1,15%), Filipinas (-0,43%) e Suíça (-0,39%). De acordo com o estudo, das 40 economias participantes, 34 mantiveram as taxas, três subiram os juros e outras três reduziram. Para elaborar o ranking, foi considerada a taxa de juros a mercado no vencimento mais líquido 12 meses à frente. E também a inflação projetada para os 12 meses consecutivos, com base nas estimativas feitas pelo boletim Focus, documento elaborado pelo Banco Central com mais de 100 instituições. Em evento da FGV durante a Rio Innovation Week nesta quarta-feira, Sérgio Werlang, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, afirmou que o patamar dos juros reais refletem a condução dos gastos públicos. O mercado passa a exigir um prêmio maior para realizar o financiamento da dívida pública: — Estamos com o juro real das NTN-Bs (títulos públicos que pagam um prêmio além da correção pela inflação) acima de 8% até os próximos oito anos de vencimento. É uma barbaridade. Não há país que se equilibre com isso. E é um cenário em que o mercado bota no preço que não haverá ajuste fiscal forte — avalia ele. Divulgada na semana passada, a dívida bruta do setor público alcançou 81,9% do PIB em junho. — Estamos numa situação crítica de juro real, uma situação gravíssima. Está 8% ou mais para qualquer prazo. A foto da economia brasileira parece muito boa, mas o filme não vai ser, porque não tem como economia crescer com esse desequilíbrio fiscal enorme — afirmou no mesmo evento Solange Srour, diretora de macroeconomia do UBS GWM no Brasil. Veja os países com maior taxa de juro real, em ordem: Rússia 9,67%BRASIL 9,33%México 5,09%África do Sul 4,62%Indonésia 3,31%Hungria: 3,02%Colômbia 2,63%Polônia 2,61%República Tcheca 2,2%Índia 2,19%Israel 2,09%Chile 2,03%Austrália 1,62%Coreia do Sul 1,35% Fonte: MoneYou e Lev Intelligence
Com Selic a 14%, Brasil lidera nível de juros reais do mundo
Lista é seguida pela Rússia, que possui taxa real de 9,09%, e Colômbia, com taxa de 6,16%












