O capítulo mais recente de Neymar no futebol brasileiro traz um antes, durante e depois que ajuda a explicar bem os sentimentos desencontrados que este personagem gera. Foi generoso, altruísta, decisivo, infantil e provocador em menos de 24 horas.

Neymar é capaz de fazer um evento beneficente na segunda-feira, um ato nobre e elogiável, e dar uma declaração contida e reflexiva sobre a imprensa e o estado psicológico que os jogadores podem ficar por conta de críticas exageradas e fake news.

Em campo, fez a jogada que decidiu a classificação do Santos para as quartas de final da Copa do Brasil. Foi mais esperto que o defensor, tomou a frente e teve calma para esperar o momento certo do passe para o gol de Rony.

Era um dia redondo, até que, após o apito final, bateu boca com um torcedor, mandando beijos direcionados à mulher dele, e no túnel dos vestiários seguiu provocando dirigentes e torcedores do Remo, contido por seguranças, cantando e dançando "eliminado" para o rival da noite.

A sucessão de acontecimentos é um prato cheio para apoiadores exaltarem o fator decisivo em campo e o "jogador raiz" que não leva desaforo para casa e tem todo o direito de responder a quem começou as provocações. E também serve de munição para os críticos reforçarem as convicções de um jogador infantil e mimado, rebaixando-se da posição de estrela do futebol mundial para rebater provocações de torcedores de um clube modesto como o Remo.