A despedida de Neymar das Copas cabe em dois momentos. No primeiro, Brasil eliminado perdendo de 2 a zero, ele converte um pênalti que não servia para nada e provoca o goleiro norueguês: "comigo não, otário". No segundo, desaba no gramado em lágrimas, numa cena patética, certamente pensada para o documentário que, dizem, está sendo gravado sobre ele.
Homem chorando é quase uma revolução –o problema aqui é o motivo do choro. "Tentei, tentei, agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui", disse ele. Eu, eu, eu. Nenhuma palavra sobre o time, a torcida, o futebol, a Copa ou o mérito da Noruega. Não chorou pelo Brasil ou pelos colegas, chorou pelo Neymar sem hexa.
Talento nunca faltou; são 79 gols pela seleção, o recorde de Pelé superado. E é isso que agrava essa despedida vergonhosa. Neymar é o maior desperdício do futebol brasileiro –o dom tratado por ele mesmo com desleixo. Messi foi campeão aos 35. Cristiano Ronaldo disputa a Copa aos 41. Ele, pelo drama todo, se despede do Mundial aos 34 com as mãos abanando. Entrou na convocação mais pelo marketing do que pelas próprias pernas. No dia do anúncio, R$ 30 milhões em campanhas pré-gravadas foram ao ar em minutos. Agora circula a informação de que ele teria gravado oito campanhas como "herói do hexa", usadas caso o Brasil fosse campeão.













