0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Deputado Federal Alfredo Gaspar na CPMI do INSS no Senado Federal — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas, como vice na chapa de Flávio Bolsonaro à Presidência da República evidencia a escassez de opções disponíveis para o bolsonarismo e a pouca importância atribuída à sinalização para o eleitorado feminino. Essa é a avaliação do professor do Departamento de Gestão Pública da FGV-SP, Claudio Gonçalves Couto, cientista político formado pela USP e pós-doutor pela Universidade de Columbia. Couto também vê um certo improviso na indicação. Afinal, menos de 24 horas antes do anúncio, Gaspar havia publicado em suas redes sociais que seria candidato ao Senado. — A escolha de Alfredo Gaspar revela a falta de outras opções, sobretudo pelo fato de não terem escolhido uma mulher, depois de tudo o que se viu nesta campanha e das dificuldades históricas que o bolsonarismo enfrenta junto ao eleitorado feminino. Seria quase natural buscar uma candidatura feminina. Especulou-se muito sobre isso. Falaram no nome da ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, de várias deputadas do PL e até da senadora Tereza Cristina. Nenhum desses nomes prevaleceu e, pelo visto, não houve um grande esforço para encontrar outra alternativa nessa direção. Outra interpretação possível, segundo o cientista político, é que a escolha esteja relacionada à disputa pelo Senado em Alagoas. A retirada da candidatura de Gaspar poderia representar um aceno a Arthur Lira, numa tentativa de aproximação e de convencer o Progressistas (PP) a abandonar a posição de distanciamento da campanha. Tarifaço passa a impor perdas também a Lula, mostra Genial/Quaest Na avaliação de Couto, Gaspar é um nome de pouca expressão na política nacional, apesar da visibilidade que conquistou como relator da CPMI do INSS. Para o professor, o principal atributo de sua escolha para compor a chapa de Flávio Bolsonaro é o fato de ser um político do Nordeste, região onde o bolsonarismo enfrenta seu maior desafio eleitoral. Ele ressalta, contudo, que Alagoas é um dos estados nordestinos em que o petismo também encontra mais dificuldades. — O fato de Gaspar ser de Alagoas não resolve a situação de Flávio Bolsonaro no Nordeste como um todo. Acho que essa escolha revela mais a falta de alternativas do que propriamente agrega algo de substantivo à chapa, já que se trata de um nome bastante secundário no cenário político nacional. Couto chama atenção ainda que a notícia de fato à Polícia Federal contra o deputado federal Alfredo Gaspar envolvendo informações sobre possível estupro de vulnerável e tentativa de ocultação dos fatos,, feita em março deste ano, pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), pode abrir um novo flanco de ataques à candidatura de Flávio. — Mesmo que não se tenha eventualmente provas ou coisas do tipo, o fato do deputado ser investigado por isso é uma coisa muito complicada. Ter na chapa um candidato que pode levantar essa dúvida, essa acusação é um risco que me parece grande demais. É realmente um tanto quanto estranha essa indicação, considerando que se deixa de ter uma mulher e opta um candidato com todo esse risco - avalia