Eleito deputado federal por Alagoas em 2022, foi anunciado nesta quarta-feira (5) como candidato a vice-presidente na chapa puro-sangue encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a disputa ao Palácio do Planalto. Nascido em Maceió (AL), em 13 de agosto de 1970, Alfredo Gaspar iniciou a trajetória profissional no Ministério Público de Alagoas, onde ingressou com 25 anos e atuou por mais de duas décadas. No MP, atuou em promotorias criminais. Também foi procurador-geral de Justiça por dois períodos e presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC) Flávio Bolsonaro anuncia Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente Se hoje está ao lado bolsonarismo, Alfredo Gaspar já foi próximo do senador Renan Calheiros (MDB) e do ex-governador Renan Filho (MDB), que foi ministros dos Transportes no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2015, foi convidado por Renan Filho para assumir a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas. Permaneceu no cargo até 2016, quando uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a impedir que membros do Ministério Público ocupassem funções políticas no Executivo sem deixar a carreira. Em 2020, deixou definitivamente o MP para disputar seu primeiro cargo eletivo. Candidato à Prefeitura de Maceió pelo MDB, liderou no primeiro turno, mas foi derrotado por João Henrique Caldas (JHC) na segunda etapa. Após a eleição, voltou ao governo estadual para exercer novamente o cargo de secretário de Segurança Pública. No início de 2022, rompeu politicamente com o grupo do então governador Renan Filho em meio à sucessão estadual. Deixou o MDB, filiou-se ao União Brasil e concorreu à Câmara dos Deputados. Foi eleito deputado federal por Alagoas, figurando entre os parlamentares mais votados do estado e o mais votado da capital, Maceió. Em 2026, migrou para o PL, e passou a assumir o comando estadual da sigla. Relatoria da CPMI do INSS No Congresso, Alfredo Gaspar consolidou perfil de alinhamento à pauta conservadora. O parlamentar ganhou projeção nacional ao assumir a relatoria da CPMI do INSS, comissão mista criada para investigar fraudes e desvios bilionários de aposentadorias e pensões. Em março de 2026, Gaspar apresentou um relatório com mais de 1,2 mil páginas no qual pedia o indiciamento de mais de 200 pessoas por crimes como organização criminosa e lavagem de dinheiro. O documento incluía dirigentes de estatais, empresários, parlamentares e integrantes dos núcleos políticos de diferentes gestões federais, gerando fortes embates com a base governista de Lula durante os trabalhos do colegiado. Entre os alvos de pedidos de indiciamento, estava o de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do atual presidente da República. À época da apresentação do parecer, Gaspar defendeu a independência das investigações e a necessidade de encaminhamento das conclusões ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal. No entanto, o relatório foi rejeitado, por 19 votos a 12, e a CPMI concluiu os trabalhos sem ter um parecer aprovado. Palanque na região Nordeste A indicação de Alfredo Gaspar para a chapa de Flávio Bolsonaro visa reforçar dois pilares estratégicos da campanha presidencial: o protagonismo da pauta de combate à criminalidade e a estruturação de um palanque competitivo no Nordeste. A escolha de um nome ligado à carreira jurídica e com passado na segurança pública atende aos anseios da base conservadora, enquanto a atuação de Gaspar em Alagoas é vista no partido como peça para ampliar a penetração da candidatura em estados nordestinos. "Vossa Excelência, [Flávio Bolsonaro], escolheu uma pessoa simples, nordestina, mas com uma história de vida de muito trabalho. É uma honra estar aqui, de cabeça erguida, para dizer que ao seu lado marcharei para a gente transformar esse Brasil num local justo e decente", disse Gaspar nesta quarta.