Deputado havia sido oficializado candidato ao Senado em Alagoas na véspera e precisou viajar às pressas para Brasília; atuação na CPI do INSS pesou na decisão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ao lado de Flávio Bolsonaro, deputado Alfredo Gaspar assina filiação ao PL — Foto: Divulgação A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice de Flávio Bolsonaro (PL) foi fechada em uma articulação mantida sob sigilo e restrita a três integrantes da cúpula da campanha. Além do presidenciável, apenas o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), participaram diretamente das conversas que levaram ao nome do deputado. Segundo aliados, o ex-presidente Jair Bolsonaro também foi consultado e deu aval à decisão. O nome de Gaspar ganhou força apenas nesta semana, depois que as sucessivas tentativas de Flávio de atrair partidos do Centrão fracassaram e reduziram o leque de alternativas para a vice. A definição foi tão acelerada que, na terça-feira, Gaspar havia sido oficializado pelo PL como candidato ao Senado por Alagoas. Menos de 24 horas depois, precisou abandonar o projeto estadual e comprar uma passagem de última hora para Brasília para ser apresentado como companheiro de chapa de Flávio. O próprio evento desta quarta-feira foi organizado de um dia para o outro. O anúncio não estava inicialmente previsto para ocorrer nesta data e surpreendeu até aliados que acompanhavam as discussões sobre a formação da chapa, mas não tinham conhecimento das conversas com Gaspar. Valdemar deu aval ao nome e viu na escolha uma oportunidade de colocar o escândalo do INSS no centro da campanha presidencial. Gaspar ganhou projeção como relator da CPI que investigou as fraudes contra aposentados e pensionistas, e a avaliação da cúpula é que sua presença na chapa permitirá explorar o assunto diretamente contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em especial as denúncias contra seu filho Fábio Luís, mais conhecido como Lulinha. Foi justamente essa agenda que Flávio destacou ao apresentar o companheiro de chapa. O presidenciável citou as investigações sobre o INSS e buscou relacioná-las ao entorno de Lula, numa prévia do papel que o tema deverá ocupar na campanha. — Nos últimos dias, todos vocês noticiaram como a degradação moral atingiu o atual governo. A corrupção, o desvio e roubo do INSS entraram no gabinete do Lula — afirmou Flávio. Entre as alternativas que restavam ao PL, Gaspar também era considerado um nome em alta pela exposição recente e por reunir atributos que a campanha pretende explorar. Antes de chegar à Câmara, foi promotor de Justiça e secretário de Segurança Pública de Alagoas, trajetória que permite à chapa associá-lo às bandeiras de segurança pública e combate à criminalidade. Aval do pai Jair Bolsonaro participou, ainda que indiretamente, da escolha. Flávio já havia comentado anteriormente com o pai a possibilidade de ter Gaspar como companheiro de chapa e ouviu uma avaliação favorável. Com o nome novamente colocado sobre a mesa nesta semana, o ex-presidente deu aval à composição. Bolsonaro tem boa avaliação sobre o deputado alagoano. Gaspar chegou a pedir autorização para visitar o ex-presidente no ano passado, embora o encontro não tenha ocorrido. Outro componente considerado na escolha foi a equação política de Alagoas. Gaspar vinha sendo preparado para disputar o Senado e havia sido oficializado para a corrida apenas um dia antes de ser deslocado para a chapa presidencial. No entanto, no ano passado, Bolsonaro havia se comprometido com o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que o PL não teria candidato no estado, favorecendo a sua eleição. De candidato ao Senado a vice em menos de 24 horas A rapidez da mudança ajuda a dimensionar o grau de improviso na reta final da escolha. Na terça-feira, Gaspar ainda estava em Alagoas e tinha outro destino eleitoral definido: disputar uma cadeira no Senado. No dia seguinte, já era apresentado em Brasília como candidato a vice-presidente. Até então, o deputado tampouco aparecia publicamente entre os nomes mais cotados para o posto. A maior parte das discussões se concentrava em mulheres e em alternativas capazes de trazer um novo partido para a coligação. A definição também não estava prevista para ser anunciada nesta quarta-feira. Na véspera, Flávio havia afirmado, durante sabatina do site O Antagonista, que poderia deixar a escolha do companheiro de chapa para o dia 15. A equipe jurídica, porém, alertou para o risco de judicialização caso o nome não fosse formalizado dentro do prazo das convenções, encerrado nesta quarta. A partir daí, a operação foi acelerada. Gaspar estava em Alagoas e comprou uma passagem de última hora para Brasília. O evento para apresentar a chapa foi montado entre a noite de terça-feira e a manhã desta quarta. Na coletiva, estavam inclusive personagens que haviam participado da novela da escolha da vice, como Tereza Cristina (PP-MS) e Daniella Marques (Republicanos). A presença das duas reforçou o contraste com o desfecho de uma negociação que, durante meses, esteve concentrada na tentativa de encontrar uma mulher e, de preferência, alguém capaz de trazer outro partido para a coligação. Gaspar, ao discursar, fez referência às mulheres presentes no palco e à mudança de rumo na composição. — O Brasil estaria muito melhor servido com as senhoras, mas Deus quis que nesse momento fosse um soldado do Nordeste — afirmou. Depois das portas fechadas pelo Centrão Gaspar ganhou espaço justamente quando essas alternativas se esgotaram. Flávio e Valdemar tinham Tereza Cristina como primeira opção. A senadora demonstrou disposição para aceitar a vaga, mas o PP decidiu permanecer neutro na eleição presidencial e não autorizou sua entrada na chapa. Em seguida, Flávio investiu em Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e recém-filiada ao Republicanos. O senador, Valdemar e Rogério Marinho participaram de uma última reunião com o presidente da legenda, Marcos Pereira, na tentativa de fechar um acordo. Também não funcionou. Dos 27 diretórios estaduais consultados pelo Republicanos, 17 defenderam a neutralidade, nove o apoio a Flávio e um a Lula. A legenda decidiu não integrar formalmente nenhuma coligação presidencial, inviabilizando Daniella como vice. O Podemos foi outra porta procurada na reta final. A presidente da legenda, Renata Abreu, chegou a ser sondada por interlocutores da candidatura, mas o partido também optou por não aderir formalmente à chapa. As negativas obrigaram o PL a buscar uma solução dentro da própria legenda e fizeram a escolha deixar de cumprir um dos objetivos perseguidos desde o início das negociações: aumentar o tempo de televisão de Flávio. Sem incorporar outro partido, o senador deverá ter cerca de 4 minutos e 20 segundos em cada bloco do horário eleitoral, contra aproximadamente 5 minutos e 32 segundos de Lula.
Bolsonaro deu aval ao vice de Flávio, em escolha restrita ao núcleo da campanha; leia bastidores
Deputado havia sido oficializado candidato ao Senado em Alagoas na véspera e precisou viajar às pressas para Brasília; atuação na CPI do INSS pesou na decisão














