Definição ocorre no último dia das convenções e encerra busca que envolveu nomes do Centrão e alternativas do próprio PL 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro anuncia Alfredo Gaspar como candidato a vice — Foto: Cristiano Mariz O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, anuncia nesta quarta-feira que o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que foi relator da CPI do INSS, será candidato a vice-presidente em sua chapa na disputa pelo Palácio do Planalto. A definição, feita no último dia do prazo para as convenções partidárias, encerra uma negociação que se estendeu pelos últimos meses e envolveu diferentes nomes e tentativas de ampliar a coligação presidencial. Com a escolha, Flávio leva para o centro da campanha o escândalo do INSS, e direciona a estratégia para pressionar as relações de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. — Nos últimos dias, todos vocês noticiaram como a degradação moral atingiu o atual governo. A corrupção, o desvio e roubo do INSS entraram no gabinete do Lula. O seu Marcola está sendo acusado de receber dinheiro que veio do desvio. Talvez a coisa mais hedionda que aconteceu no nosso país nas ultimas décadas. Um governo que não respeitou nem os aposentados — disse Flávio ao anunciar o vice. Flávio fez referência ao fato de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ter recebido um repasse de R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger, citada nas investigações sobre o escândalo do INSS por ter feito negócios com Antunes. Ela é amiga de Lulinha. Nesta quarta, Marcola anunciou que deixou a campanha de Lula, para onde havia sido deslocado em julho após sair da chefia de gabinete. A campanha petista tenta atenuar os desgastes, mas vê mais potencial de eventuais prejuízos relacionados aos três inquéritos envolvendo Lulinha no Supremo Tribunal Federal (STF) do que no caso Marcola. O presidenciável também destacou que Gaspar já foi promotor de Justiça, o que representa uma tentativa de associar a campanha à bandeira da segurança pública e do combate à criminalidade. Gaspar é de Alagoas, o que conversa com a estratégia de Flávio de buscar mais apoios no Nordeste, região onde Lula é mais forte. — O Brasil estaria muito melhor servido com as senhoras (referência as mulheres no palco), mas Deus quis que nesse momento fosse um soldado do Nordeste — disse Gaspar. O anúncio ocorreu durante entrevista coletiva nesta quarta-feira, em Brasília, com a presença de aliados. A senadora Tereza Cristina (PP-PI), que foi cotada para o posto, participou do evento, assim como o coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN); o presidente do PL. Valdemar da Costa Neto; a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), que vai concorrer ao Senado; e Daniella Marques (Republicanos), que também foi cotada para vice. Centrão fica neutro A escolha ocorreu depois de o PL chegar ao último dia das convenções sem conseguir fechar uma aliança nacional com outra legenda. Flávio tentou atrair partidos do Centrão e chegou a usar a vaga de vice como uma das principais ferramentas das negociações, mas PP, Republicanos, União Brasil e Podemos decidiram não aderir formalmente à candidatura. Durante boa parte da pré-campanha, Flávio afirmou que preferia ter uma mulher como companheira de chapa. A estratégia era considerada importante por auxiliares para tentar reduzir a resistência enfrentada pelo senador no eleitorado feminino e, ao mesmo tempo, incorporar uma legenda com representação no Congresso. A principal aposta foi a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ela chegou a demonstrar disposição para aceitar a vaga, mas o PP decidiu manter a neutralidade na disputa presidencial depois de consultar seus diretórios estaduais e não autorizou sua participação na chapa. Depois do fracasso dessa articulação, a campanha se voltou para o Republicanos. Flávio defendia a ex-presidente da Caixa Daniella Marques como alternativa para a vice e participou, ao lado do coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de uma última reunião com o presidente da legenda, Marcos Pereira, na segunda-feira. A tentativa também não prosperou. Dos 27 diretórios estaduais consultados pelo Republicanos, 17 defenderam a neutralidade, nove o apoio a Flávio e um a Lula. Na terça-feira, a legenda formalizou a decisão de não integrar nenhuma coligação presidencial. O Podemos foi outra alternativa procurada na reta final. Interlocutores da candidatura sondaram a presidente da legenda, Renata Abreu, mas o partido também optou por não embarcar formalmente na chapa. O processo de escolha também foi impactado pela revelação da relação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a quem o presidenciável pediu recursos para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. — Muta gente não acreditava que eu passaria do dia 5 de abril. Várias confusões vieram, mas conseguimos superar — disse Flávio ao anunciar o vice. Escolha na reta final Com o fechamento dessas portas, o PL passou a concentrar as discussões em alternativas que não dependessem de uma nova aliança partidária. Na terça-feira, em sabatina do Antagonista, o presidenciável chegou a dizer que deixaria essa escolha para o dia 15, mas foi convencido por sua equipe jurídica a adiantar o anúncio, pelo risco de judicialização. A definição também encerra uma das últimas pendências da candidatura de Flávio. Até esta quarta-feira, ele era o único entre os principais presidenciáveis que ainda não havia anunciado seu companheiro de chapa. Lula terá novamente Geraldo Alckmin como candidato a vice. Ronaldo Caiado escolheu Gilberto Kassab, enquanto Romeu Zema anunciou o senador Eduardo Girão para a vaga. Renan Santos terá como vice o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina. A demora de Flávio esteve diretamente relacionada às tentativas de usar a vaga para ampliar sua coligação. Além de reforçar politicamente a chapa, a adesão de outro partido poderia aumentar o tempo de propaganda eleitoral disponível para o candidato. Sem conseguir incorporar novas legendas, Flávio deverá ter cerca de 4 minutos e 20 segundos em cada bloco do horário eleitoral, segundo projeção do GLOBO feita com base nas regras do Tribunal Superior Eleitoral. Lula, sustentado por uma coligação mais ampla, deverá dispor de aproximadamente 5 minutos e 32 segundos.