Eleição organizada entre especialistas pela Apple Music trouxe equilíbrio entre estilos, eras, gêneros e raças e pôs no topo o disco dos anos 1990 de uma mulher negra: ‘The Miseducation of Lauryn Hill’ 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lauryn Hill recebe prêmio de melhor albúm da história — Foto: Divulgação e Vince Bucci / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você O álbum solo de Lauryn Hill lidera o ranking histórico da Apple Music. A escolha consolida a força do hip hop, gênero mais representado na lista. Grandes ícones do rock clássico perderam espaço para a diversidade de estilos. Bandas consagradas como Led Zeppelin e Rolling Stones aparecem em posições secundárias. Os anos 1990 dominam a seleção com mais de vinte discos lembrados. Além disso, artistas como Beatles e Beyoncé conseguiram emplacar múltiplos álbuns. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Doa a quem doer, a Apple Music lançou esta semana a sua lista de 100 maiores discos de todos os tempos, organizada por especialistas (entre eles, artistas de renome, como Pharrell Williams e Charli XCX). Um choque, para quem estava acostumado ao cânone: o número um é “The Miseducation of Lauryn Hill” (1998), primeiro disco solo da rapper do grupo Fugees Lauryn Hill. Um disco que já andava despontando por aí, em outras listas anteriores, mas, de fato, um grande disco, e reconhecido como tal logo em seu lançamento. Já são quase 28 anos que “Miseducation” está por aí (ele saiu num dia 18 de agosto), mas esse álbum ainda diz muito sobre o que a música se transformou desde o impacto do asteroide hip hop no planeta: a rítmica manda, mas se não tiver alma, se não tiver uma boa história a ser contada, o formato álbum não sobrevive. E a estreia solo de Lauryn Hill tem tudo isso: beats, sentimento, um arco dramático, valor artístico e uma bela voz, digna de figurar como herdeira das grandes cantoras negras que a antecederam, como Aretha Franklin e Nina Simone (ambas na lista, com um disco cada). O segundo lugar ficou para “Thriller” (1982), de Michael Jackson. Um feito inquestionável: o álbum mais vendido de todos os tempos, um divisor de águas do pop, no qual o artista negro mais bem-sucedido de sua geração abriu as portas da MTV (e do mundo) para outros artistas negros — uma turma que vai de Prince (quarto lugar com “Purple Rain”, álbum que lançou em 1984 com sua banda Revolution) a Frank Ocean (quinto lugar com “Blond”, de 2016, um clássico recente do r&b, repleto de melancolia e exposição emocional). A febre brasileira do Menudo, agora em série documental: ‘Achavam que a gente era os Rolling Stones!’ Segundo estatística aplicada à lista da Apple Music, o hip hop fica na liderança entre os gêneros, com 21% de representação. Ele é seguido pelo rock, com 18%, e pop, com 16%. Os anos 1990 são a década mais lembrada, com 23 álbuns. Apesar disso, foram os lendários The Beatles que conseguiram a façanha de emplacar dois álbuns nas alturas mais elevadas: “Abbey Road” (de 1969, em terceiro lugar), “Revolver” (de 1966, em 21º). Stevie Wonder, Prince, Beyoncé e Radiohead também emplacaram dois álbuns, cada, ao longo da lista. Bem equilibrada entre artistas homens e mulheres, a lista mostra, sobretudo, a perda de importância do rock. Os monstros sagrados da branquitude abriram lugar para uma variedade de estilos, gêneros e raças (embora não haja discos de brasileiros e o Terceiro Mundo esteja representado tão somente pelo jamaicano Bob Marley e o porto-riquenho Bad Bunny). Entre os pioneiros do rock, não há sequer um Elvis Presley. Discos reverenciados de Led Zeppelin, David Bowie e Pink Floyd surgem a partir do número 24. Rolling Stones chega em 53; o Velvet Underground, em 60. E Jimi Hendrix, só em 63. Depois de “Abbey Road”, o disco de rock mais bem posicionado é “Nevermind” (1991), do Nirvana, em nono. É um clássico tardio do outrora celebrado punk rock, gênero que emplaca ainda o seu disco mais diverso (“London Calling”, do Clash, em 35º) nessa lista, que ignora, no entanto, velhas unanimidades como Ramones e Sex Pistols. Para a nova geração de votantes, parece fazer mais sentido botar no alto da lista, em 11º, um disco de rock como “Rumours” (1977), do Fleetwood Mac – notório por suas acolhedoras e perfeitas sonoridades radiofônicas, que venceram a barreira das décadas com um empurrão do TikTok. De resto, trata-se de uma lista muito justa, ao menos para quem passou as últimas décadas ligado nas (e apaixonado pelas) movimentações da música pop. Tem um pouco de todos os mais importantes (e de diferentes eras), o reconhecimento antes-tarde-do-que-nunca de grandes artistas (como a Sade Adu, de “Love Deluxe”) e a elegância de pôr Joni Mitchell na frente de Taylor Swift.
Análise: Se a lista dos 100 melhores álbuns de todos os tempos mostrou algo, é que o rock branco não dita mais o cânone
Eleição organizada entre especialistas pela Apple Music trouxe equilíbrio entre estilos, eras, gêneros e raças e pôs no topo o disco dos anos 1990 de uma mulher negra: ‘The Miseducation of Lauryn Hill’








