Duas adolescentes entram em uma loja de discos no centro de São Paulo para comprar uma edição especial do disco "Cowboy Carter", da Beyoncé. Nenhuma delas tem toca-discos em casa. Por isso, antes de irem embora, pedem para ouvir o álbum ali mesmo —pela primeira e, muito provavelmente, última vez.

Apesar de praticamente todo o catálogo musical do mundo caber na palma da mão, cenas como essa estão cada vez mais comuns. Depois de duas décadas em que o streaming parecia ter decretado o fim dos formatos físicos, o interesse por essas mídias —do vinil ao CD e até pela fita cassete— voltou a crescer.

Segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica, a IFPI, as vendas de discos cresceram 13,7% no ano passado, completando 19 anos consecutivos de expansão. Embora o streaming responda hoje por quase 70% da receita global da música gravada, a mídia física também voltou a ganhar espaço. Nos Estados Unidos, o vinil ultrapassou US$ 1 bilhão em faturamento anual pela primeira vez desde os anos 1980, ainda que com um volume de unidades muito inferior ao de seu auge.

"O vinil deixou de ser um produto de nicho e passou a atrair consumidores de diferentes gerações", afirma Rafael Félix, diretor comercial da Universal Music Brasil. Segundo ele, o vinil já representa a maior parte das vendas de mídia física. No ano passado, a gravadora lançou cerca de 500 títulos no formato, número que deve se repetir neste ano. CDs também voltaram a crescer, embora em ritmo menor, e fitas cassete, DVDs e Blu-rays permanecem no catálogo.