Escolher a garrafa certa quando se tem convidados é algo que gera muita ansiedade. Vide o filme "O Convite", de Olivia Wilde, um dos mais comentados do ano, que tem no vinho um personagem importante: ele funcionaria como lubrificante social, mas acaba virando um ponto de tensão.

No longa, a mulher de um casal em crise prepara uma mesa daquelas para receber os vizinhos, mas o marido não vê a mensagem com o pedido para que trouxesse um vinho ao voltar para casa. Resta escavar despensa, geladeira e armário em busca de algo que sirva.

Mas só há duas garrafas na casa. Um champanhe, presente nunca aberto, que parece pomposo demais e evapora, de tão rápido que é sorvido; e um Bordeaux 1982, que estava reservado desde as bodas do casal, e também entra na roda. Claro que nada funciona: os dois vinhos, tão chiques que podem dar a impressão errada aos visitantes, viram mais um ponto de conflito.

Pensando nesse tipo de situação, montei uma listinha de vinhos com alguns rótulos excelentes ou bons na medida —nem pomposos nem simples demais. Há ainda um bônus: se a conversa acabar, eles mesmos podem virar assunto.

Para começar, o espumante português Julia Kemper Nature (R$ 290 na Caves Santa Cruz) harmoniza muito bem com a mesa do filme, cheia de queijos e com presunto cru. Se o suflê não tivesse queimado, ele também estaria a salvo. É um vinho bem fino, muito elegante, cheio de frescor —dá a sensação de morder uma maçã verde—, com perlage (borbulha) bem fininha e persistente. E bem menos sisudo que um champanhe. Vem do Dão, em Portugal, e é feito com encruzado e malvasia fina, uma uva conhecida pela mineralidade, outra pela nota floral.