Você conhece a história: em algum lugar do Mediterrâneo, companheiros de Odisseu desembarcaram e comeram um alimento que os fez esquecer que queriam voltar para casa. Quando o rei de Ítaca os encontrou, eles se recusaram a partir. Então ele os arrastou de volta aos navios e os amarrou para que não retornassem à terra dos comedores de lótus.
É uma passagem de "A Odisseia" —o diretor Christopher Nolan deu sua própria abordagem ao tema no filme recém-lançado— e um dos mais antigos enigmas da obra: o que, exatamente, eles comeram?
Para entender que espécie de planta poderia ter provocado um torpor tão célebre, o jornal The New York Times entrevistou dez especialistas em Antiguidade, botânica e drogas do mundo antigo.
O problema, ao que parece, começa com a própria palavra lótus.
"O ‘lótus’ de ‘Odisseia’, de Homero, provavelmente não é a planta na qual a maioria das pessoas pensa hoje", disse a etnobotânica Cassandra Quave, da Universidade Emory (Estados Unidos). Não se trata, por exemplo, do lótus-sagrado asiático que aparece na arte budista.









