Por quase 3.000 anos, "Odisseia", de Homero, reinou como a maior jornada épica da literatura. É uma história de um rei exilado que enfrenta deuses vingativos e monstros marinhos para reconquistar seu trono na ilha jônica de Ítaca. A obra tem pelo menos 60 traduções só para o inglês e mais de três dezenas de adaptações cinematográficas, incluindo a versão de Christopher Nolan, que estreou nos cinemas nesta semana.

O astuto monarca que idealizou o Cavalo de Troia foi um governante de carne e osso ou apenas fruto da imaginação de Homero?

Estudiosos modernos geralmente consideram o poema um folclore. Contudo, nos últimos anos, arqueólogos trabalhando em Ítaca encontraram evidências de que os antigos viam a história de forma bem diferente. No alto de um cume rochoso, descobriram o que pode ser o fã-clube mais devoto da antiguidade: as ruínas de um extenso santuário de 2.400 anos com detalhes que sugerem que o rei Odisseu era uma figura de culto local.

O complexo parcialmente preservado está esculpido diretamente nos terraços do monte Exogi e é conhecido localmente há muito tempo como a Escola de Homero. Arqueólogos investigam o local há mais de um século, mas descartaram qualquer relação com "Odisseia". Uma escavação de 1878 no afloramento rochoso encontrou pouco que correspondesse às descrições vívidas do texto de Homero.