Confira as traduções recomendadas pelo Professor Moreno, do podcast 'Noites gregas' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Matt Damon em cena de 'A Odisseia', de Christopher Nolan — Foto: Divulgação / Universal Pictures Nesta quinta-feira (16), uma história milenar chega aos cinemas: “A Odisseia”, adaptação da epopeia de Homero assinada por Christopher Nolan, vencedor do Oscar de melhor filme e melhor direção por “Oppenheimer” em 2024. Quem conhece os clássicos já sabe: a trama acompanha o grego Odisseu (Matt Damon) em sua jornada de volta para a casa depois da Guerra de Troia. Lá, a fiel Penélope (Anne Hathaway) o espera pacientemente, apesar do assédio constante dos homens que gostariam de tê-la como esposa. Mas e quem não conhece os clássicos e, animado pelo filme, gostaria de enfrentar a “Odisseia”? Tratando-se de uma obra mítica, um dos pilares da civilização ocidental, é natural ter receio de aproximar do livro, medo de se perder nos flashbacks de Homero ou de não entender direito as interações entre os homens e os deuses durante o percurso de Odisseu. Felizmente, há uma infinidade de edições da “Odisseia” disponíveis, adequadas aos mais diversos tipos de leitor: dos iniciantes, que têm pouca familiaridade com a cultura clássica, aos avançados, que, com uma ousadia digna do próprio Odisseu, estão dispostos a encarar traduções que prezam pela extrema fidelidade ao texto original. Para saber que edição é mais apropriada para quem, o GLOBO consultou o professor Cláudio Moreno, âncora do “Noites gregas”, podcast dedicado à mitologia que nos presentou com a história de Odisseu. Para iniciantes Quem é ouvinte de “Noites gregas” sabe que o Professor Moreno tem seu tradutor preferido: o português Frederico Lourenço, renomado classicista que já traduziu até a Bíblia. Para quem só agora está se aproximando da mitologia, ele indica “A Odisseia de Homero adaptada para jovens” (Claro Enigma), de Lourenço. — Ele é muito sério. Aliás, às vezes eu acho que ele é sério demais, até meio sisudo — diz o autor de “Troia: o romance de uma guerra” (L&PM), livro lançado em 2004, na mesma época em que o filme hollywoodiano com Brad Pitt. Traduções em prosa O professor explica que uma das principais dificuldades encontradas por leitores da Odisseia é a estrutura em versos e o fato de a poesia clássica não usar a ordem direta. Por isso, ele sugere a leitura de traduções da “Odisseia” em prosa, que preservam tanto o enredo como o prazer da leitura. — A “Odisseia” tem que ser lida com gosto e os versos fora da ordem direta podem torná-la ilegível. Os franceses só leem a “Odisseia” em prosa — afirma Moreno, que indica duas edições em prosa. — A edição do Jaime Bruna (publicada pela Cultrix) é muito fiel, é a edição que era envida pelo Círculo do Livro (programa de venda de títulos por assinatura que existiu de 1973 a 2000). Indico também uma edição portuguesa, do Padre E. Dias Palmeira, que é uma figura folclórica, os caras diziam que ele era meio maluco. Talvez fosse, mas a prosa dele flui muito bem. 'Foi um filme difícil, mas tinha que ser', diz Christopher Nolan sobre a 'A Odisseia' Aos ousados, poesia Agora, para quem já se sente pronto para ler a “Odisseia” em versos, Moreno volta a recomendar seu luso preferido. Com quase 200 páginas de notas, a tradução de Frederico Lourenço foi publicada pela Companhia das Letras em edição de luxo. A mesma versão do texto também está disponível numa edição da Penguin-Companhia, bem mais barata. — Frederico explica o que é necessário, é uma tradução que pode ser lida por um leitor médio — diz Moreno, que descreve a obra de Homero como “um livro genial, agradável e encantador”. E as versões de Hollywood? Apaixonado pela cultura grega desde que leu Monteiro Lobato na infância, Moreno não é fã das adaptações hollywoodianas dos clássicos. Ele fez um episódio inteiro de “Noites gregas” para expor suas críticas ao filme “Troia”. Brad Pitt em 'Troia' (2004), de Wolfgang Petersen — Foto: Divulgação / Warner Bros — O que Hollywood faz é uma bastardização dos clássicos. Pegaram o Hades, coitado, que é um pacato zelador do mundo dos mortos, casado e quieto, o único que não sai correndo atrás das mulheres dos outros, e o transformam num bandido, quase igual a Úrsula da “Pequena sereia” — protesta o professor, que elogia ao menos uma versão hollywoodiana da “Odisseia”, a de Mario Camerini, estrelada por Kirk Douglas, Silvana Mangano e Anthony Quinn, em 1954. Moreno vai assistir à versão de Nolan por dever de ofício e talvez comente no filme num episódio de “Noites gregas” — aliás, em abril, ele e seu fiel escurecido Filipe Speck começaram a contar a “Odisseia” no podcast (já foram quatro episódios até agora). Apesar de não botar fé na nova adaptação hollywoodiana, ele espera que o filme desperte no público o desejo de ler Homero. — Com certeza vai agitar o público. Quando no Brasil se falou tanto em literatura clássica grega quanto agora? — diz ele, que é um dos responsáveis por esse movimento.
'A Odisseia': especialista indica versões ideais para se conhecer clássico de Homero
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