Com elenco de estrelas, câmeras IMAX e um orçamento de cerca de 250 milhões de dólares, filme estreia nesta quinta-feira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Parte do elenco de 'A Odisseia' e os diretores, Emma Thomas e Christopher Nolan — Foto: JULIEN DE ROSA / AFP Em seu mais recente projeto, "A Odisseia", o cineasta Christopher Nolan apresenta uma nova versão da epopeia mitológica de Ulisses, em formato de blockbuster e com um elenco de ponta que inclui Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland e Zendaya. E para adaptar o poema de Homero, com 3 mil anos de existência e um dos textos fundadores da literatura ocidental, o diretor vencedor do Oscar por "Oppenheimer" quis fazer tudo em grande escala. — Foi um filme difícil, mas tinha que ser: é a 'Odisseia'! — brincou Nolan em entrevista concedida em Paris a diversos veículos de imprensa, entre eles a AFP. O novo longa-metragem, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, foi filmado em seis países (Grécia, Marrocos, Itália, Islândia, Escócia e EUA), com algumas cenas em alto-mar e utilizando câmeras IMAX, um formato que oferece resolução excepcional, embora tenha suas exigências e complicações de uso. Os números do orçamento que circulam também são colossais: cerca de US$ 250 milhões (aproximadamente R$ 1,29 bilhão). Parte do elenco de "A Odisseia" em Paris — Foto: JULIEN DE ROSA / AFP "A Odisseia" narra o conturbado retorno de Ulisses (Matt Damon) à ilha de Ítaca, onde sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) enfrentam os ataques dos pretendentes ao trono. Ulisses, que precisa enfrentar o ciclope, a feiticeira Circe e a desconfiança de seus companheiros, vê sua reputação como líder se apagar gradualmente e, ao mesmo tempo, começa a questionar suas próprias ações. — As decisões que ele toma nem sempre são as corretas, o que faz dele alguém muito imperfeito e muito humano — afirmou Matt Damon na estreia em Paris. — Acho que é por isso que a história continua ressoando até hoje, como faz há 3 mil anos. Matt Damon durante a premiere de "A Odisseia" em Paris em 8 de julho de 2026 — Foto: JULIEN DE ROSA / AFP Nolan, roteirista e produtor do filme, conhecia apenas superficialmente o mito da Ilíada e da Odisseia antes de embarcar no projeto. 'Épico impressionante', 'de tirar o fôlego' e 'melhor filme de Christopher Nolan': Confira as primeiras reações para 'A Odisseia' — Sempre procuro espaços ainda não explorados na cultura cinematográfica e me surpreendeu perceber que a mitologia grega, especialmente a 'Odisseia', um texto fundador da literatura ocidental, havia raramente sido levada ao cinema — explicou o cineasta britânico de 55 anos. Anne Hathaway, Zendaya, a produtora de cinema Emma Thomas e o diretor Christopher Nolan, em Paris, em 8 de julho de 2026 — Foto: JULIEN DE ROSA / AFP Em 2004, "Troia", de Wolfgang Petersen, concentrou-se na guerra, com Brad Pitt no papel de Aquiles. Duas décadas depois, "O Retorno de Ulisses", com Ralph Fiennes e Juliette Binoche, retratou a volta do herói a Ítaca sob uma perspectiva mais íntima. Nolan opta por uma encenação grandiosa para contar os vinte anos de peregrinação de Ulisses, cujo destino lembra, de certa forma, o de alguns protagonistas de seus filmes anteriores. Assim como o Batman de "O Cavaleiro das Trevas", o rei de Ítaca transforma-se gradualmente em um herói solitário, tentado pela vingança. E, assim como Robert Oppenheimer, consumido pelos efeitos devastadores da bomba atômica que ajudou a criar, Ulisses luta contra seus remorsos. — O que me interessava era a ideia de uma pessoa que carrega a culpa de ter mudado o mundo, e não necessariamente para melhor — conta Nolan, que também vê em "A Odisseia" uma reflexão atemporal sobre aquilo que une os seres humanos. — O respeito pelas pessoas e por seus direitos é o que define a civilização — analisa o cineasta. — Essa é uma regra de ouro que sustenta os princípios da democracia e dos direitos humanos. Quando começamos a esquecê-la, tudo se desintegra.