"Hacks" quebrou um novo recorde ao virar a série de comédia mais indicada ao Emmy, mas seus criadores sonham com algo antigo. Em maio, disseram querer todas as temporadas feitas pela HBO preservadas em DVDs. É que Deborah Vance, a protagonista, pode não ser eterna no streaming, seja por custos de direitos autorais, seja por incertezas de um mercado definido por fusões entre estúdios.
Esse desejo se soma à tentativa de cinéfilos, gamers e aficionados por música de reverter o fim da mídia física. Os resistentes à extinção de DVDs, CDs e vinis, que parecia irreversível nos últimos vinte anos, se multiplicam junto aos gargalos do streaming e da pirataria.
A HBO Max, por exemplo, hoje um braço da Warner, pode se tornar da Paramount, se a compra anunciada em fevereiro se concretizar. As plataformas das empresas provavelmente virariam uma só, e várias obras seriam descartadas, já que há um limite de dados que esses serviços conseguem processar. Isso ocorreu em 2022 e 2023, quando a Warner e a Discovery formalizaram sua união e dezenas de seriados, como os elogiados "Westworld" e "Trem Infinito", deixaram a HBO Max subitamente.
Nesses casos, títulos novos enfrentam o mesmo destino de clássicos como "Rebecca", lançado por Alfred Hitchcock em 1940, e "Oito e Meio", de Federico Fellini, hoje fora dos catálogos digitais brasileiros. Embora a rotatividade entre streamings seja comum, o portal Reelgood, que mapeia a disponibilidade digital de filmes e séries, mostra que 51% dos filmes que deixaram a Netflix desde 2021 não entraram em outras plataformas.










