A preservação audiovisual ronda as telas do cinema, da televisão e dos celulares. A restauração de filmes como "A Hora da Estrela", lançada em salas de cinema, e novos títulos como "O Agente Secreto", "Anistia 79" e "Entrevista com Fantasmas" revelam, em suas diferenças formais, a centralidade dos debates em torno de arquivo, memória e imaginação do cinema brasileiro.

Nesse sentido, a preservação não pode mais ser compreendida como uma atividade meramente técnica ou coadjuvante.

O cinema brasileiro foi historicamente atravessado pela centralidade da produção fílmica, tanto em âmbito político quanto de financiamento. Apesar da continuidade na produção audiovisual no Brasil nas últimas décadas, continua vigorando a mentalidade de que só o que importa é a produção do próximo novo filme.

A preservação audiovisual representa, por princípio, o pensamento a longo prazo —a ideia de que uma obra não se destina apenas ao público de hoje, mas também ao de amanhã. Em contraste, a mentalidade imediatista coaduna-se com a falta de atenção com tudo aquilo que não representa o retorno comercial imediato. Isso relegou ao segundo plano dimensões que escapam ao pragmatismo neoliberal. O tempo também é político.