"Um milagre." Assim a diretora técnica da Cinemateca Brasileira, Gabriela Queiroz, classifica a recuperação dos filmes do Canal 100, projeto iniciado em 2024 e prorrogado até maio de 2027. "Tínhamos a esperança de não salvar muito do material. Imaginávamos uma taxa de 60% de descarte, ficou entre 35% e 40%", diz.

O projeto busca recuperar, catalogar e digitalizar o acervo do Canal 100, entregue à Cinemateca em 2011. Até 2013, uma força-tarefa cuidou do material. Na época, 50% da coleção já havia sido avaliada. O restante, cerca de 8.000 latas de filmes, ficou parado até 2024 em razão das sucessivas crises na instituição.

Criado pelo cineasta Carlos Niemeyer, o Canal 100 revolucionou a cobertura esportiva no país, imprimindo uma narrativa cinematográfica aos cinejornais, e esteve presente nas salas de cinema de 1957 a 1986. É sempre lembrado pelas imagens de futebol, mas seus programas abrangeram diferentes aspectos da vida política, cultural e social do país.

Segundo Gabriela, o material a ser restaurado estava em uma sala em que era difícil respirar por causa do acúmulo de ácido acético, usado na fabricação das películas. "Abrimos uma lata toda enferrujada, com alicate, esperando achar um rolo totalmente perdido, e ele ainda tinha informações de imagem e áudio", conta.