Doze estados americanos alegam que fusão reduzirá concorrência em distribuição de filmes para cinema e planos básicos de TV por assinatura 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Torre de água com o símbolo da Paramount no Paramount Studios, em Los Angeles — Foto: Mario Tama/Getty Images via Bloomberg A Paramount solicitou a um juiz federal americano que marque para 4 de novembro o julgamento da ação movida por um grupo de estados americanos que contesta sua planejada fusão com a Warner Bros. Discovery. Já os doze estados autores da ação defendem que o julgamento ocorra em 5 de abril. A empresa e os estados, liderados pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, apresentaram suas sugestões em um documento conjunto protocolado nesta sexta-feira, a pedido da juíza federal Araceli Martínez-Olguín, de Oakland, Califórnia, responsável por conduzir o processo antitruste que questiona a megafusão de US$ 110 bilhões (cerca de R$ 560 bilhões) entre os dois estúdios de Hollywood. Em comunicado, a Paramount afirmou que o pedido dos estados "não passa de uma tática protelatória" e sustentou que um julgamento em novembro é "mais do que suficiente para dar às duas partes o tempo necessário para conduzir a fase de produção de provas, reunir evidências e se preparar para o julgamento". Os estados argumentaram, na petição, que o cronograma proposto pela Paramount é "extraordinariamente abreviado" e não deixaria tempo suficiente para reunir provas da companhia. Segundo eles, as informações obtidas durante a investigação conduzida pelos estados "não substituem" a troca de documentos realizada no âmbito do processo judicial após o ajuizamento da ação. "Os estados autores propõem um cronograma acelerado, mas realista, que leve o caso rapidamente a julgamento, ao mesmo tempo em que assegure tempo suficiente para a produção de provas e a preparação prévia", afirmaram. A definição da data do julgamento ganhou importância depois que, em 24 de julho, Paramount e Warner Bros. concordaram em não concluir a operação antes de junho, salvo se a disputa judicial for resolvida antes desse prazo. Uma longa espera pode sair cara para a Paramount. A companhia concordou em pagar aproximadamente US$ 7 milhões por dia aos acionistas da Warner Bros. a partir de 1º de outubro, até que a fusão seja concluída. Caso o fechamento ocorra apenas em junho, esses pagamentos poderão superar US$ 1,6 bilhão. Essa possível prorrogação prolongada aumenta significativamente a incerteza em Hollywood e para algumas das franquias mais emblemáticas da indústria. A fusão reuniria sob um mesmo grupo os estúdios responsáveis por filmes como Casablanca, Harry Potter e Missão: Impossível. Também colocaria sob o mesmo controle duas grandes redes de notícias — CNN e CBS —, a plataforma de streaming HBO Max e dezenas de canais de televisão por assinatura. Esperava-se que a Paramount defendesse uma data de julgamento que garantisse uma decisão com bastante antecedência em relação ao prazo final de junho. Os estados já haviam solicitado anteriormente que o julgamento ocorresse em abril. A juíza será responsável por definir o calendário do processo, embora deva atribuir peso considerável a qualquer consenso alcançado entre as partes. A Paramount tem afirmado reiteradamente que a fusão resistirá ao questionamento judicial, desde que possa apresentar provas de que a operação aumentará a concorrência em Hollywood e permitirá à empresa competir de forma mais eficaz com gigantes da tecnologia, como Netflix e Amazon. Na ação apresentada no início deste mês, os estados argumentam que a operação reduzirá a concorrência nos mercados de distribuição de filmes para cinemas e de planos básicos de TV por assinatura. Um processo separado, movido pelo Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos (Writers Guild of America), também sustenta que a fusão diminuirá a concorrência pela contratação de roteiristas.