As plataformas de streaming americanas Netflix, Disney+ e Prime Video apresentaram recursos contra novas regras na França que exigem que elas destinem 20% de seus investimentos no país para três áreas —animação, documentários e espetáculos ao vivo—, segundo noticiou a imprensa francesa.

A vice-presidente da Netflix na França, Pauline Dauvin, publicou um artigo no Le Monde contestando novas regras impostas pelo governo francês que obrigam a cota aos serviços de streaming estrangeiros. Segundo Dauvin, a medida interfere na liberdade editorial, trata os streamings de forma diferente das emissoras tradicionais e pode limitar investimentos em outros gêneros, como ficção.

No artigo, a Netflix afirma investir mais de € 250 milhões por ano, ou R$ cerca de 1,4 bilhão, em produções francesas e diz ter recorrido ao Conselho de Estado da França para contestar a norma. A empresa sustenta que apoia a exceção cultural francesa, mas defende um modelo regulatório mais equilibrado, alertando que o aumento contínuo das obrigações de investimento pode comprometer a sustentabilidade do setor e a diversidade de conteúdo.

O decreto em questão, publicado em dezembro do ano passado, estabelece novas obrigações de investimento para plataformas de streaming na França. Ele determina que pelo menos 20% da produção audiovisual deve ser direcionada a três categorias específicas —animação, documentários e gravações de espetáculos. Para empresas com faturamento anual superior a € 50 milhões, 75% dessa parcela deve obrigatoriamente ser destinada a obras inéditas.