Talvez Flávio Bolsonaro ainda não tenha calculado o tamanho do erro cometido na largada de sua campanha. Para devolver à base bolsonarista o prazer de ouvir Lula e Alexandre de Moraes sendo xingados, trouxe a São Paulo Javier Milei, entregou-lhe o palco da convenção do PL e deixou que o argentino fizesse o serviço.
Milei chamou o presidente da República de ladrão e presidiário e tratou um ministro do Supremo como "lixo careca". A plateia vibrou. Resta saber quem, além dela, foi conquistado.
A eleição presidencial tem tudo para ser um campeonato de rejeição, vencido não pelo candidato mais amado, mas por quem provocar menos aversão. Flávio e Lula lideram a lista daqueles em quem os eleitores afirmam que não votariam de jeito nenhum.
Numa disputa assim, a tarefa não é entusiasmar quem já lhe pertence, mas deixar de assustar quem ainda poderia aceitá-lo. Ou, dito de maneira mais crua, trata-se de diminuir o contingente dos que tapam o nariz para votar em alguém de que não gostam apenas porque têm verdadeiro horror ao seu concorrente.
Foi justamente nesse terreno que Flávio resolveu pisar com os dois pés. Para o núcleo duro do bolsonarismo, Milei ofereceu uma noite de catarse. Depois de anos de cautelas jurídicas e discursos defensivos, alguém voltou a um grande palco da direita para esculhambar Lula e Moraes com a desinibição dos velhos tempos.








